Janaína Storti – Gerente Geral de RI Bom dia a todos, eu sou Janaína Storti, Gerente Geral de Relações com Investidores do Banco do Brasil e é um prazer ter vocês aqui conosco na nossa Live de resultados do 4º Trimestre de 2024. O nosso evento será conduzido em português com tradução simultânea para o inglês e você pode escolher o áudio original, português ou inglês. Hoje contamos com a presença da nossa presidenta, Tarciana Medeiros, do nosso CFO, Geovanne Tobias e do CRO, Felipe Prince. Iniciaremos agora com uma fala da presidenta Tarciana e na sequência a gente começa com a sessão de perguntas e respostas. Lembrando a todos que já há alguns trimestres temos disponibilizado o vídeo do resultado comentado pelo CFO já na noite anterior, ali no site de Relações com Investidores. Agora eu passo a palavra para a nossa Presidenta Tarciana. Por favor. Tarciana Medeiros - Presidenta do Banco do Brasil Bom dia, a todas e todos. É uma satisfação estar aqui novamente para compartilhar com vocês os resultados realizados no último ano e apresentar as nossas perspectivas para 2025. Em 2024, completamos dois anos de gestão e reafirmamos a nossa capacidade de honrar o que nos propusemos. Entregando pelo segundo ano consecutivo nosso Guidance, fruto da qualidade da disciplina na execução da nossa estratégia. Entregamos nossos compromissos de geração de valor, com a atuação diversificada e crescimento responsável do crédito, a partir da proximidade da especialização no atendimento fígital aos nossos clientes. Também avançamos na agenda de tecnologia e inovação e nos consolidamos como o banco mais sustentável do mundo pela sexta vez consecutiva. Vamos abordar todos esses pontos com mais profundidade na nossa apresentação. Alcançamos um lucro líquido ajustado de 37,9 bilhões de reais, aumento de 6,6% no ano. Essa atuação possibilitou a distribuição de mais de 85 bilhões de valor adicionado para a sociedade. Avançamos no crédito, superando 1 trilhão e 278 bilhões de reais ao final de 2024, um aumento de mais de 15%. Apoiamos nossos clientes, reforçamos nossas lideranças e estamos prontos para alcançar novos patamares, atentos aos desafios e oportunidades do cenário. O equilíbrio entre nossas principais carteiras, construído ao longo dos anos, é uma fortaleza. O BB é o único banco da indústria que apresenta esse equilíbrio na formação de sua carteira. Ele foi fundamental para atravessarmos o ano de maneira harmônica e saudável, considerando a melhor relação entre risco e retorno. No crédito para Pessoas Físicas, atingimos 336 bilhões de carteira, um aumento de 7% no ano. Apesar de toda a competição no Crédito Consignado, ampliamos nossa participação de mercado para mais de 20%. Destaco aqui o nosso desempenho no Consignado do INSS, com desembolso de 37 bilhões de reais, desde que declaramos que iríamos buscar a nossa participação justa de mercado. Apenas em 2024, o desembolso nessa linha cresceu 53%. Já a carteira PJ apresentou um crescimento expressivo, de 18% no ano. Acreditamos no nosso empreendedorismo como força motriz da economia brasileira. A carteira para MPMEs superou 125 bilhões de reais e evoluímos no modelo especializado para empresas com faturamento entre R$ 15 e R$50 milhões, trazendo para o mercado uma nova segmentação do High Varejo PJ, que já conta com sete agências dedicadas. Avançamos também na especialização do atendimento ao cliente atacado, ampliando o NPS do segmento e superando R$ 258 bilhões no saldo de crédito para grandes empresas. A atuação com esses clientes fortalece as cadeias de valor, que está em nossa estratégia, fazendo toda a roda da economia girar. Com investimentos em Mercado de Capitais, favorecendo especialmente as empresas pequenas que fornecem para as grandes empresas. Também faz parte da nossa estratégia de crescimento com empresas, os desembolsos em linhas de programas governamentais que possuem fontes garantidores, como o FGO Pronampe, o FGO Procred 360 e o PEAC FGI, que alcançaram juntos o desembolso deR$ 12,4 bilhões esse ano. Eu destaco ainda o crescimento na carteira de governo que alcançou 78 bilhões de reais, especialmente em operações de investimento, que colaboram para o desenvolvimento do país e ainda contam com garantia do Tesouro Nacional. Agora vamos falar do Agro, que fechou o ano com crescimento de quase 12% e que em janeiro já atingiu a marca de R$ 400 bilhões. Em 2024, nós vimos a inadimplência dessa carteira se elevar e nós intensificamos o nosso apoio, seguindo ao lado dos nossos clientes produtores rurais, que buscam sentar-se à mesa conosco para negociação. Continuamos a ver aumento de casos em recuperação judicial, já que representam quase 20% do crédito inadimplente do Agro, em mais de 250 clientes. Os mecanismos presentes no Manual do Crédito Rural apoiam os produtores que foram impactados pelos desafios do campo na última safra. Reafirmamos aqui o nosso compromisso de oferecer suporte técnico e financeiro para os nossos parceiros em todos os momentos. Nosso capital segue em patamar robusto, fechando o ano em 10,89%. Aqui tivemos um impacto dos efeitos da marcação à mercado sobre os TVMs decorrentes do forte movimento da abertura da curva de juros no último trimestre 2024. Na medida em que a curva retorne, esse impacto da marcação tende a retroceder. Entendemos que a faixa dos 11% é o nosso ponto ótimo, onde encontramos eficiência na utilização do nosso capital e suporte para nossa ambição de crescimento. Nesse contexto de maior volatilidade e considerando o nosso plano de capital com horizonte de três anos, o Conselho de Administração estabeleceu um intervalo entre 40% e 45% para payout em 2025. Dentro do nosso propósito de estar próximo dos nossos clientes, estamos focados em oferecer a melhor experiência, promover e acelerar ainda mais nossa transformação digital e garantir sustentabilidade dos negócios. Nos últimos dois anos, mais que dobramos o nosso investimento em tecnologia, com avanços na jornada fígital dos clientes e no desenvolvimento das habilidades digitais dos nossos funcionários. Estamos reforçando os nossos times ágeis e eu quero destacar aqui a convocação de mais de mil colegas, ainda no primeiro semestre, diretamente para reforçar as áreas de tecnologia e de cibersegurança. Aqui eles se somam aos mais de 65 mil funcionários que já se capacitaram nos últimos dois anos em trilhas de Inteligência Artificial, Ciência de Dados e outras vertentes de tecnologia e que estão cada vez mais preparados para inovar. Esses investimentos aprofundam também o uso de Inteligência Artificial e Analytics. Já são mais de mil casos de uso em Inteligência Artificial que vão desde modelos de risco de crédito, até nossa plataforma de CRM, que está cada vez mais potente, com centenas de milhões de insights e recomendações de negócios. Assim, com nosso relacionamento e ofertas que se tornam mais fluidas e assertivas, essa plataforma dobra a nossa efetividade de negócios, ampliando a produtividade do nosso time comercial. O atendimento hiper personalizado, que já temos falado com vocês há pelo menos dois anos, se reflete na percepção positiva dos nossos clientes. Considerando a evolução significativa das nossas métricas de atendimento. Alcançamos o maior NPS da nossa história. Um crescimento em todos os segmentos, nos posicionando como um dos maiores da indústria. Nossa satisfação geral está no nível de excelência. Esses indicadores são confirmados pelo Ranking Bacen de Reclamações, onde conquistamos a marca inédita de 10 trimestres consecutivos com o melhor resultado entre os principais conglomerados financeiros. O que reflete o nosso compromisso contínuo com a excelência no atendimento aos nossos clientes. Já somos referência em como aliar o melhor do digital com a proximidade do atendimento humano e seguiremos reforçando e ampliando o nosso diferencial de sinergia entre os canais, a exemplo do Ponto BB, que integra perfeitamente os canais físicos e digitais, em um ambiente de inovação, negócios e reforço dos atributos da nossa marca. O primeiro Ponto BB, no Porto Digital em Recife, já recebe mais de 72 mil visitantes desde a sua inauguração e vimos uma ampliação de 7% na base de novos clientes. Essa experiência exitosa nos faz acreditar que ter Pontos BB explorando de forma customizada a potencialidade de cada região, é o caminho para estarmos mais próximos do nosso cliente, reforçando nosso propósito. Quando falamos de relacionamento e proximidade, destaco que estamos firmes na ampliação do atendimento especializado e na nossa ambição neste ano de alcançar 10 milhões de clientes assistidos. Além de trazer proximidade e resolutividade, esses clientes têm um maior índice de principalidade com o banco e uma rentabilidade dez vezes maior. O BB sempre esteve na vanguarda da criação dos modelos de atendimento de alta renda. Hoje temos a rede com a maior capilaridade pelo Brasil. Estamos presentes não apenas nos grandes centros, mas em cidades do interior, onde a geração de riqueza e novos negócios surgem a todo momento, em uma velocidade impressionante. Em 2025 fortaleceremos ainda mais o atendimento aos nossos clientes BB Estilo. O nosso foco será intensificar a proximidade e oferta de soluções exclusivas para esse segmento, ao expandir a atuação do segmento High Estilo para mais cidades, após o sucesso do nosso piloto em três capitais. Nesse ano avançamos fortemente nos negócios sustentáveis. Fomos pioneiros, lá no começo de 2024, em declarar a carteira sustentável no Guidance. E atingimos a ponta alta. Um crescimento de quase 13%, alcançando R$ 387 bilhões. Também nos destacamos no volume de captações sustentáveis. Superaram 6,6 bilhões, com investidores e acordos de cooperação técnica com organismos multilaterais, apenas nesse ano. Somos protagonistas nos negócios de crédito de carbono e vemos como uma linha importante de crescimento. Já alcançamos 75 mil hectares preservados ou recuperados, com meta de 1 milhão até o final desse ano. Não vamos parar por aqui, em 2025 o Brasil será sede da COP 30 em Belém e vocês já podem esperar uma atuação do tamanho do Banco do Brasil, do tamanho do banco que carrega Brasil no nome. Estivemos presentes nos principais fóruns sobre o tema. De Nova York a Cali. Tenho certeza de que Belém será um marco para um mundo cada vez mais sustentável. Agora eu quero trazer para vocês as nossas premissas macroeconômicas, que são balizadores importantes na construção das nossas projeções e ambições para 2025. O cenário econômico brasileiro nesse ano, embora desafiador, apresenta elementos que nos permitem manter uma atividade econômica resiliente. As projeções indicam um crescimento do PIB de 2,2%, refletindo um ambiente de negócios favorável, mesmo em meio a um contexto de aperto monetário. O setor agrícola é um dos principais motores da economia e em 2025 prevemos um crescimento de 6%, a partir de uma safra recorde de grãos. O que aumenta a exportação e fortalece a balança comercial. Projetamos ainda a Selic ao final do ano em 15,25% e uma inflação de 5,6%. Esses fatores, aliados aos níveis historicamente baixos de desemprego, devem levar o Brasil a atravessar 2025 com resiliência, mitigando os efeitos de uma política monetária mais rígida. Com base nesse cenário, eu quero compartilhar com vocês a nossa visão estratégica e as oportunidades que estamos abraçando esse ano. O crescimento do crédito do Banco do Brasil continuará sustentável e equilibrado, com o mix de originação consistente com o nosso papel na sociedade brasileira e beneficiado pelas oportunidades da nossa atuação em cada canto desse país. Vamos continuar a ser protagonistas no crédito consignado, em todas as suas verticais, com os servidores públicos, no INSS e no consignado privado, agora com a oportunidade do eSocial. Já no crédito não consignado, são duas verticais de crescimento. A primeira com créditos para profissionais estratégicos e a segunda vertical está no cartão de crédito. No crédito para as empresas, o cenário de taxa de juros mais altas traz a necessidade de cautela na gestão do negócio. Sabemos o quanto as despesas financeiras impactam o resultado das empresas, especialmente as de menor porte, é por isso que temos estratégias eficientes para mitigar esses efeitos e garantir um crescimento sustentável. Como já comentei com vocês, temos usado também as linhas de programas governamentais, com destaque para o FGO Pronampe, em que nós somos líderes. Já para o Agro, vemos um cenário de normalização do ritmo de crescimento em um contexto de risco, que nos demandam uma postura mais prudente. Vamos continuar honrando o nosso relacionamento com os clientes do Agro, que há gerações crescem conosco e com o nosso país. Na dinâmica de receitas e despesas, continuaremos investindo no relacionamento e na proximidade com clientes, com soluções integradas para além do crédito. O cenário se desenha construtivo para gestão de ativos na BB Asset, para o crescimento de consórcios e nos negócios de seguros, previdência e capitalização. Não poderia deixar de mencionar o movimento com o fechamento de capital da Cielo, onde nosso foco é a principalidade do cliente MPE, com o olhar integral de suas necessidades. Em 2024 já colocamos algumas inovações no radar. Como o Tap on Phone e o PIX por aproximação. Em 2025 iremos acelerar esses movimentos, ou seja, as empresas do grupo continuam sendo relevantes na diversificação das receitas, atuando em sinergia e complementariedade com o nosso balcão. Continuamos rigorosos no controle das despesas, sem descuidar dos investimentos em tecnologia, que são fundamentais para modernização dos nossos negócios. Finalizo agradecendo a cada um dos 125 mil funcionários do conglomerado Banco do Brasil, que constroem esse resultado todos os dias. Vocês são a força que move essa empresa. Agradeço também aos nossos clientes, acionistas e parceiros. O Banco do Brasil segue firme, sólido e pronto para construir um futuro cada vez melhor. Muito obrigada! Vamos iniciar agora a nossa sessão de perguntas e respostas. Sessão de Perguntas e Respostas Janaína Storti – Gerente Geral de RI Obrigada, Tarci. Bom, nós vamos iniciar então a sessão de perguntas e respostas. Lembrando que as perguntas podem ser feitas tanto em português quanto em inglês e eu peço para os analistas que façam apenas uma pergunta, tá pessoal, para que a gente possa dar oportunidade de participação para todos aqui com a gente. A nossa primeira pergunta vem do Daniel Vaz, do Safra. Daniel, bom dia. Daniel Vaz – Banco Safra Bom dia. Bom dia, Jana. Bom dia a todos. Tarciana, Geovanne, Prince. Obrigado pela oportunidade de fazer perguntas. Eu queria falar justamente sobre o seu Guidance. Você colocou uma carteira de crédito crescendo em média 7,5% e algumas diferenças entre os setores. Então, a gente vê um pouco mais de PF e Agro e menos de PJ. Justamente no PJ, eu queria explorar esse ponto. Você fechou o ano em 15% de crescimento, ano contra ano. Eu queria entender para 2025 qual é o foco de crescimento dessa carteira. Então, se você puder quebrar entre atacado e SME e as linhas que vocês estão mais explorando dentro desse Guidance, seria ótimo para a gente entender onde vocês estão vislumbrando chegar no crédito atacado. Obrigado. Geovanne Tobias – CFO BB Obrigado, Daniel. Sem dúvida alguma o crescimento foi bastante expressivo no final do ano na carteira de PJ. Ali você engloba as micro, pequenas, médias e grandes empresas. A gente está colocando todas ali. Teve um crescimento muito grande de TVM, mais de 30%. Foram oportunidades que vislumbramos no mercado de capitais, mas é importante lembrar que, em que pese o ambiente estar mais desafiador para as empresas, a gente acredita que temos empresas, por exemplo, exportadoras, que serão beneficiadas e poderão estar atuando mais junto da gente. Somos o maior financiador de ACC/ACE do mercado brasileiro. Em relação às micro e pequenas empresas, nós também atuamos muito especificamente com linhas do governo, como o Pronampe, como a Tarci já falou, e a gente pretende manter essa nossa proximidade com esses clientes, mas sempre cuidando da questão da equação risco/retorno. Uma visão dentro de margem financeira líquida mesmo. Vocês viram um crescimento da inadimplência na carteira de MPEs, ao longo de 2024, conseguimos controlar, mas a gente vai estar bastante atento. Por isso, que quando você olha o segmento empresas, ele é muito diferente, há algumas empresas, principalmente nas grandes, tendo oportunidades via mercado de capitais, onde a gente pretende crescer mais. As micro e pequenas a gente vai manter esse crescimento no meio desse Guidance, muito fruto desses funds específicos que a gente tem acesso em parceria com o governo. Eu não sei se o Prince gostaria de trazer mais alguma luz sobre a carteira de PJ. Felipe Prince – CRO BB Perfeito, Geovanne. Acho que a gente pode acrescentar a nossa atuação em cadeia de valor, ela continua bastante robusta. Então, o foco é a gente manter o equilíbrio de rentabilidade desse portfólio e essa rentabilidade, obviamente, em micro e pequenas empresas, a gente faz uso, principalmente, do FGO Pronampe, que nós somos os administradores e essa linha traz um retorno ajustado ao risco bastante adequado para a gente manter o atendimento e o fomento a esse nicho empresarial. A gente tracionou muito fortemente o FGI, em 2024, era uma linha que a gente procurava priorizar assistência aos clientes via o Pronampe, mas a gente observou uma oportunidade bastante favorável de atacar o mercado, principalmente do middle com o FGI e então 2024 foi um ano de desembolsos recordes do Banco do Brasil no FGI. Em grandes empresas, a gente mantém a nossa estratégia de atendimento global aos nossos clientes, buscando, obviamente, oferecer soluções no momento em que essas empresas precisam, mas sempre fazendo uso da nossa capacidade de distribuição e alocação de títulos no mercado de capitais. Então, acho que esse é o mantra. É um crescimento responsável dessa carteira mantendo a rentabilidade, que a gente inclusive tem a expectativa de que essa rentabilidade se eleve. Como o próprio Geovanne colocou, a gente vem em um processo de estabilização do risco de crédito, principalmente em pequenas e médias, que a gente está bastante convicto de que traciona a rentabilidade em 2025. Daniel Vaz – Banco Safra Perfeito. Muito obrigado, pessoal. Janaína Storti – Gerente Geral de RI Obrigada. A nossa próxima pergunta vem do Bernardo Guttmann, da XP. Bernardo Guttmann – XP Investimentos Bom dia, pessoal. Obrigado pelo espaço para perguntar. Eu tenho uma pergunta sobre o nível de capital do banco. Apesar da redução no trimestre, vocês passaram uma mensagem bem construtiva de recuperação orgânica ao longo do ano. Então, eu queria entender um pouco melhor os elementos aqui. Por que vocês estão confiantes em recompor o índice de capital, mesmo diante do impacto da Resolução 4966? Obrigado. Geovanne Tobias – CFO BB Obrigado, Guttmann. É importante vocês terem em mente que tem um pedacinho desse nosso índice de capital que foi impactado basicamente pela volatilidade que a gente viu em dezembro. Se não fosse isso a gente estaria com o ICP na faixa dos 11%. A gente já vem falando isso, o que seria um índice capital mais sustentável para nós. Iniciamos 2023, sem dúvida alguma, com índice de capital bastante robusto, tanto é que nós propusemos aumentar nosso payout ao longo de 2024, mas de olho nos ajustes que aconteceriam na regulamentação. Temos hoje mais visibilidade de impacto de 4966 e a ideia de a gente propor inclusive um payout trabalhando em um arranjo de 40% a 45%. Em 2023 distribuímos 40%. Em 2024, 45%. Mas nós estamos com uma visão de médio prazo, já olhando para os próximos 3 anos e mirando nesse ICP, digamos assim, de equilíbrio, em torno de 11%. Na medida em que a gente vá gerando esses resultados orgânicos, a gente vai ter essa flexibilidade para poder estar distribuindo mais dividendos. A gente está mirando na ponta alta, de 45%. A gente não pode deixar de levar em consideração a carteira rural, que ainda inspira cuidados. A gente ainda está tendo esse fenômeno de RJs (recuperações judiciais). São aproximadamente 300 clientes, com quase R$ 3 bilhões de impacto nessa inadimplência. A gente está nessa transição de balanço de perda incorrida para perda esperada. Então, de uma maneira prudente, a gente optou por propor essa faixa, em que a gente tem a flexibilidade de otimizar essa estrutura de capital e ao mesmo tempo remunerar adequadamente os nossos acionistas. Preservando a solidez de um resultado sustentável ao longo do tempo. Então, basicamente, não sei se o Prince tem mais alguma coisa acrescentar aqui em relação a isso, mas essa é a nossa estratégia na gestão desse capital. Felipe Prince – CRO BB Perfeito. Guttmann, até para entender o quão construtivos estamos. Como o Geovanne colocou, a gente teve um impacto da volatilidade do final do ano. Obviamente, como vocês perceberam, o mercado se equilibrou. Esse equilíbrio do mercado traz consigo uma recomposição desse capital, que obviamente é muito similar ao financiamento da implementação de 4966. Então, a gente parte, em 2025, com um balanço bastante robusto e reforçado. Essa conta da transição, vamos chamar assim, ela acaba sendo equilibrada pela volta e normalização do mercado, tanto câmbio quanto taxa de juros e aí, obviamente, agora é a nossa capacidade de geração orgânica para que a gente possa tanto remunerar adequadamente os nossos acionistas, como financiar o crescimento das nossas atividades. Então, a gente está bastante convicto de que partimos de um ponto relevante para tocar a expansão dos nossos negócios, como comprometido no nosso Guidance. Bernardo Guttmann – XP Investimentos Super claro! Obrigado, Geovanne. Obrigado, Prince. Janaína Storti – Gerente Geral de RI Obrigada, Bernardo. Passando aqui para nossa próxima pergunta, vou convidar Tito Labarta, do Goldman Sachs. Tito Labarta – Goldman Sachs Bom dia a todos. Obrigado por receberem a minha pergunta. A minha pergunta tem a ver com os níveis de provisionamento e de cobertura. Vocês falaram que na 4966 tiveram um aumento de cerca de 4,6 nas perdas esperadas. Eu gostaria de uma perspectiva melhor em termos do provisionamento e também da formação da inadimplência. Sua cobertura está caindo para cerca de 170%. Como vocês veem isso no futuro? A implementação da 4966 vai aumentar a sua cobertura? Também estou pensando sobre a inad do agro, que aumentou e impactou a cobertura. A inad do agro vai aumentar, ou vocês esperam que melhore? Pensando em provisionamento, cobertura e o impacto da 4966. Se puderem falar mais sobre isso, seria ótimo. Obrigado. Geovanne Tobias – CFO BB Obrigado, Tito. Sem dúvida, esperamos ver uma diminuição da inad para o agro durante o ano. Já atingimos o índice de inadimplência de 2,5%. 0,5% vêm de litígio com alguns produtores rurais, como já mencionei. Em termos de nível de provisionamento, é importante olhar para todo o provisionamento já contabilizado com a 4966. Estão, você pode esperar que a nossa cobertura esteja acima dos 200%. Como mencionamos anteriormente, usamos o provisionamento de acordo com o crédito já vencido. Com isso, estamos passando por um momento de ajuste, de quando o Banco do Brasil não possuía uma Política de Perda de Provisionamento Esperado. Estamos fazendo essa implementação em acordo com a 4966 e, por esse motivo, tivemos que contabilizar quase 70 bilhões de reais em provisionamento. Por isso Prince mencionou que agora temos um balanço robusto, na nossa perspectiva, com uma forte cobertura de provisionamentos para enfrentar essa metodologia de perdas esperadas através dos anos. Desde que continuemos a incrementar nossa carteira de pessoas físicas e, de acordo com as nossas previsões, esperamos ter uma melhoria de dois dígitos nessa carteira, com uma melhoria do risco ajustado ao retorno no crédito consignado, não apenas para o funcionalismo público, mas também para o setor privado, que será implementado de acordo com o que foi informado pelo Governo Federal, seremos capazes de melhorar a situação dessa carteira de menor risco. Como uma perspectiva futura, devemos ver uma melhoria também na carteira agro também. A expectativa é que em 2025 tenhamos a melhor safra da história do Brasil. Ou seja, a perspectiva para este setor no Brasil é bastante positiva. Neste meio tempo, estamos enfrentando essas dificuldades no provisionamento para a carteira, mas podemos esperar que comece a melhorar. Tito Labarta – Goldman Sachs Ótimo, Geovanne. Obrigado. Janaína Storti – Gerente Geral de RI Voltando aqui para as perguntas em português a nossa próxima pergunta vem do Antônio Ruette, do Bank of America. Eu estou vendo Renato na minha tela não é o Antônio. Está aqui o Antônio. Por favor, Antônio. Antônio Ruette – Bank of America Bom dia, pessoal. Muito obrigado pelo tempo de vocês. A minha pergunta é quase um follow up da pergunta do Tito. Mas a ideia aqui é entender um pouco melhor o segmento de rural, como um todo. Acho que particularmente olhando para o trimestre, as mensagens, a gente vê dois lados. Às vezes mensagens positivas e outras mais negativas em relação ao segmento, que acaba ficando conflitante para a gente. Então, por exemplo, de um lado mais positivo a gente vê essa mensagem de uma safra forte, as provisões caindo no trimestre a trimestre. Então, inspirando um tom mais positivo para o seguimento. Só que de outro, a gente vê um Guidance que implica em uma desaceleração para carteira rural, o NPL ainda subindo e casos de RJ. Então, a ideia aqui é entender um pouco o crescimento e a inadimplência, particularmente do rural. Muito obrigado. Felipe Prince – CRO BB Perfeito, Antônio. Acho que primeiro vamos blindar a questão das recuperações judiciais. Que inclusive são responsáveis por meio ponto dessa inadimplência que nós apresentamos agora no quarto trimestre. Então, quanto às recuperações judiciais, a gente tem feito uma campanha muito forte. Não só em termos de ações de mídia, em termos de relacionamento com as entidades governamentais e do Judiciário, mas também a gente tem feito um com corpo a corpo muito forte com os nossos clientes, demonstrando o quão nocivo é esse tipo de instrumento para o produtor rural. Por quê? Porque o produtor rural, diferentemente de outros segmentos, a terra está lá e, se ele tiver recursos para poder rodar a nova safra, ele pode recuperar sua capacidade de pagamento. Se eventualmente você pede recuperação judicial, a sua capacidade creditícia simplesmente acaba e você não consegue rodar a próxima safra e, com isso, estabelecer os próximos ciclos que podem te levar à recuperação da adimplência. Então, a gente já viu sinais positivos. Nós tivemos recuperações judiciais nesse período, mas em volume muito menor do que nos trimestres anteriores. A gente credita muito a esse corpo a corpo que a gente tem feito e o resultado você vê no crescimento da nossa carteira renegociada. Por quê? Porque a gente apresenta ao produtor rural soluções que mostrem a ele que a renegociação com a sua manutenção de capacidade creditícia é o que vai fazer com que não só ele recupere as atividades, mas que a gente recupere o crédito ao longo dos períodos. Então, acho que esse é um sinal positivo e que a gente vai continuar tracionando ao longo de 2025. Por outro lado, como o próprio Geovanne colocou e a Presidenta Tarciana foi feliz na introdução dela, a gente vê uma expansão contratada no campo. Isso não é só atestado por números de mercado que a gente acompanha. Nós temos diversos analistas técnicos rurais, como a gente chama, que é o nosso corpo funcional que está no dia a dia, visitando os nossos clientes e constatando que efetivamente nós vamos entregar uma safra recorde. Com isso, a gente abre espaço para o faturamento no campo. O que acontece? O faturamento nem sempre é margem. Então, a gente ainda tem um contexto de pressão de preço em duas commodities principais: a soja e o milho. Onde, muitas vezes, principalmente em produtores que expandiram muito no Centro-Oeste, a margem que essas culturas proporcionam não é suficiente para a desalavancagem desses produtores. É o que a gente chama, primeiro de ser próximo e, segundo, de oferecer as melhores soluções para proporcionar o repagamento dessas dívidas. Então, a gente tem que entregar soluções para o produtor onde esse pagamento caiba na margem que ele vai entregar esse ano, com perspectiva dessas margens melhorarem para as safras seguintes e, então, a gente fechar o ciclo como sempre fechamos ao longo da história, recebendo desses clientes e estabilizando a nossa inadimplência. Agora, óbvio que essas operações, diferentemente dos créditos tradicionais, não são pagas em parcelas. Um custeio, por exemplo, tem que ser quitado de uma vez só, após a safra. Obviamente, a gente precisa estruturar soluções que permitam o pagamento desse custeio, que garantam o ciclo de atividade para a próxima safra e que gradativamente a gente vá reduzindo a alavancagem do Produtor. Então, não tem mágica. Não vai ser de uma hora para outra. Mas, no médio e longo prazo, a gente está bastante construtivo com o controle dessa inadimplência do Agro e temos total capacidade de voltar a entregar resultados recordes sucessivos, como a gente fez em 2024 e nos propusemos aqui a fazer em 2025. Geovanne Tobias – CFO BB Eu gostaria também de chamar atenção, por ter uma questão estatística também. A gente já atingiu a carteira agora em janeiro de 400 bilhões de reais, Antônio. Então, assim se você for ver, de 2023 para 2024, saímos de R$ 355 para R$ 397 bi. Ou seja, somei 40 e poucos bilhões de reais. Na nossa estimativa, que a gente está colocando, de single digit, a gente está falando de outros quase R$ 40 bilhões de crescimento também, dentro desse cenário. Claro que a gente está tendo uma postura um pouco cautelosa. o Guidance é a nossa bússola. É onde a gente vai buscar. E na medida em que o ambiente vai melhorando, a gente também tem uma parte importante que são os funds já determinados para alocar nesse setor. Então, a gente está falando de cinco a nove, de uma base de praticamente R$ 400 bilhões. É importante vocês saberem também que não é apenas o setor financeiro que financia o agronegócio. Nós representamos cerca de um quarto da necessidade de financiamento. Eles financiam também com a própria cadeia. Eles fazem barter. Eles vão nos fornecedores de sementes, de insumos. Agora, esses produtores, principalmente da soja, que estavam apresentando margens grandes, muitos foram além da sua capacidade. Se endividaram, fizeram investimentos, arrendaram mais terras. Então, eles vão ter que fazer um de-risking. A gente está passando por esse processo, ao lado deles, ajudando eles a fazerem esse alongamento, de certa forma. Nós repudiamos aqueles que optam primeiramente em ir para uma RJ, ao invés de vir para nós e buscar uma solução negociada, porque estamos aqui há mais de 200 anos. O Banco do Brasil sempre foi o principal parceiro do agronegócio. O agronegócio é hoje o que ele é, graças à parceria com o Banco do Brasil. E continuaremos assim. Estaremos aqui. Então, a gente acredita que é uma proposta de crescimento em linha com a capacidade, com tamanho desse setor e com a nossa participação de mercado. Sabemos que tem um aumento cada vez maior de competição nesse segmento, vindo de cooperativas e dos próprios bancos privados, mas a gente pretende sim manter um crescimento, que é o que expande a nossa margem financeira bruta. Se você vir o crescimento da nossa margem, de quase 12% nesse ano, reflete a expansão da nossa carteira de crédito. Muito em linha com a nossa visão geral. Antônio Ruette – Bank of America Está claro, obrigado. Janaína Storti – Gerente Geral de RI Obrigada, Antônio. Eu vou passar para a próxima pergunta, agora sim o Renato Meloni, da Autonomos. Renato Meloni - Autonomous Tudo bem, pessoal? Muito bom revê-los todos. Obrigado pela pergunta. A minha pergunta é sobre o Guidance. Se a gente pensar aqui no ponto médio, o crescimento da margem financeira bruta está um pouquinho acima do crescimento do portfólio de loans, o que implicaria sim no aumento da margem financeira líquida, mas eu imagino que com esse nível de Selic, a sua margem com o mercado, deveria subir bastante. Eu estou imaginando que isso pode implicar numa compressão da sua margem financeira líquida com os clientes. Eu queria entender se vocês estão vendo isso e de onde vem essa compreensão, especialmente com a mudança aqui do portfólio mais para pessoa física e até a menção para fazer mais cartão de crédito no ano que vem. Dentro desse contexto também, se puderem inserir na resposta, para esse ano os players parecem estar a mais conservadores, indo para linhas mais seguras e parece que vocês agora estão com uma visão oposta. O que vocês estão vendo diferente do mercado para isso? Obrigado. Geovanne Tobias – CFO BB Sem dúvida alguma, Renato, o nosso foco vai ser no consignado. É o nosso carro-chefe. Quase que metade da nossa carteira de pessoa física é consignado. Crescemos e temos mais de 20% de participação nesse mercado de consignado eminentemente para setor público e na medida em que a gente traga um crescimento maior da carteira pessoa física, é de se esperar margens melhores no contexto geral para o Banco do Brasil. Porque a margem do Agro é praticamente estável, é aquilo ali. Conseguimos até melhorar um pouco a margem vinda do Agro, por conta até de um volume maior de receitas equalizáveis. Então, os recursos equalizáveis estamos praticamente desembolsando 100% desses recursos. A gente ainda vai começar a discutir a safra 2025/2026, mas a gente tem ainda uma avenida de crescimento de uma maneira bastante segura, pescando, como a gente diz, no nosso aquário, de recuperar um pouco do share em cartão de crédito, no nosso próprio consignado e estamos bastante otimistas com a possibilidade de ampliar mais do consignado privado. Hoje, existe uma reserva de mercado, praticamente, no mercado do consignado privado, onde os grandes bancos privados têm acordos já estabelecidos com grandes empresas, junto aos seus RHs, para oferecer consignado privado para aquele trabalhador. A proposta que está se avizinhando é de abrir esse mercado e você fatalmente vai ter um volume muito maior. Esse mercado é hoje de R$ 40 bilhões e pode chegar, potencialmente, a R$ 300 bilhões, entendeu. Então, assim, claro que a gente mira no que a gente considera como uma fatia justa de participação de mercado do Banco do Brasil. Consignado do INSS eu tinha 10%. Agora já estou beirando os 15%, 16% de market share. Se eu buscar 10% de market share no consignado privado, eu estou falando de mais R$ 30 bilhões somado à minha carteira. Então, 10% no mínimo, de uma carteira de mais de R$ 300 bilhões de pessoa física. Isso com certeza vai refletir em uma margem melhor com o meu cliente pessoa física. Claro, tesouraria teve desempenho fantástico. A gente aproveitou essas volatilidades para poder gerar um ganho grande na tesouraria. A gente vai ter ainda esse cenário mais estressado ao longo de 2025. Então, a nossa tesouraria vai estar ativa, mas existe sim uma oportunidade para a gente melhorar um pouquinho o crescimento da margem com o cliente. A margem com o cliente cresceu 1%, na visão trimestre, mas a gente consegue, na medida que esse melhora esse mix, a gente consegue estar trazendo mais margem para nós. Tarciana Medeiros - Presidenta do Banco do Brasil Geovanne, eu complementaria dizendo que nós não estamos indo a oposto do mercado. Na verdade, é uma estratégia desenvolvida que leva em consideração a composição da nossa carteira de crédito. Eu acho que o crescimento mais conservador no Agro, o Prince e o Geovanne já explanaram bem. A nossa perspectiva de crescimento futuro no Agro leva em consideração, quando a gente olha, por exemplo, o crescimento da nossa carteira renegociada para 2024/2025, essa carteira renegociada, neste momento, não impacta no Guidance, mas na medida em que esse cliente se recupera em 2025/2026 a gente volta com esse cliente a impactar. Então, esse acompanhamento muito próximo do cliente Agro, a gente continua fazendo. O Geovanne trouxe bem que é um crescimento mais estável da carteira do Agro. Quando eu vou para o segmento de micro e pequenas empresas, a gente tem crescido estrategicamente em linhas amparadas por programas do Governo Federal. Nós tivemos desembolsos recordes, levando em consideração as linhas que trazem mitigador de risco e amparo de fundos constitucionais como garantia. Quando a gente olha para pessoa física, é um crescimento muito saudável e muito seguro em linhas que nós conhecemos e sabemos como fazer. Então, o consignado com o setor público, eu citei aqui na abertura, nós vamos continuar com foco nele. Sempre tem espaço para crescer no consignado do setor público. O consignado do INSS, uma linha que nós ainda não alcançamos a nossa fatia justa de mercado. Então, temos espaço para buscar. Crescemos mais de 30% em 2024 e temos perspectivas para 2025. Temos diversas outras linhas de pessoa física, como por exemplo, home equity. É uma linha que a gente tem uma carteira ainda muito pequena, mas há um mercado a ser conquistado. Ela está no nosso foco de crédito pessoal para 2025 também. E a oportunidade do consignado do eSocial. É uma linha segura. Como eu falei antes aqui, em uma coletiva de imprensa, para o Banco do Brasil a linha do consignado do eSocial, consignado privado, é um oceano azul. É nossa menor carteira de crédito, mas no modelo que está se desenhando, no modelo que se avizinha, é uma linha de crédito que vem muito ao encontro do que o Banco do Brasil sabe fazer. É uma linha que vem muito ao encontro do modelo de funcionamento do consignado do setor público. Então, com muita segurança e com um sistema de contratação que nos permite, sim, estarmos muito otimistas com crescimento nessa linha. Então, no mercado de pessoa física, nós temos, de fato, no Guidance um crescimento declarado um pouco maior, mas não se reflete em um crescimento de risco muito maior, uma exposição a risco muito maior. Pelo contrário, a gente tem sim a perspectiva de crescimento em linhas muito seguras no mercado de pessoa física. Então, eu diria que não vai na linha oposta do mercado, mas em linha com a estratégia de composição da nossa carteira. Janaína Storti – Gerente Geral de RI Renato, só fazendo um complemento aqui com relação à margem, você falou do spread. A gente gosta de guiar vocês olhando mais para margem bruta total. Quando a gente olha para o spread global, eu acho que a gente tende a ver uma certa estabilidade nesse nível de spread. E só reforçando com você e a dinâmica, a gente está em um cenário sim de elevação de taxa de juros, que influencia positivamente a minha tesouraria, na medida em que a gente tem a remuneração do excesso da liquidez majoritariamente em títulos públicos. Eu vi, inclusive nesse trimestre, aumento de liquidez, então isso também influencia o número da tesouraria, isso a gente vê uma parte que passa em cliente, uma parte que passa em mercado. Então, positivamente receita de crédito também. Eu reprecifico carteira, isso vai acontecendo ao longo do ano, conforme a gente gira a carteira e, na parte da despesa financeira, da despesa de captação, eu tenho o efeito do CAP da poupança em metade do meu funding. Então, isso limita também um pouco o crescimento da despesa. Então, acho que isso tudo traz e está refletido no Guidance que a gente trouxe para vocês, adicionando ainda que Patagônia contribui menos esse ano. Ela está lá na margem com o mercado, contribui menos esse ano do que a gente viu em 2024, mas ainda assim é um crescimento importante de margem para o Banco do Brasil como um todo. Felipe Prince – CRO BB É, Janaína, a gente mostrou essa capacidade de recompor a queda da margem advinda do Patagônia. Já foi menor em 2024, em relação à 2023 e a gente mostrou a capacidade de recompor essa margem com os negócios aqui no Brasil. 2025 não vai ser diferente, uma vez que dada toda conjuntura da Argentina, a perspectiva é que a gente tenha essa contribuição do Patagônia menor do que foi em 2023, mas acho que a nossa capacidade ela foi ratificada em 2024, que somos sim capazes de recompor essa margem mesmo com a redução vindo lá do Patagônia. Renato Meloni - Autonomous Perfeito gente, obrigado. Janaína Storti – Gerente Geral de RI Bom, a nossa próxima pergunta vem do Marcelo Mizrahi do Bradesco BBI. Bom te ver do lado do sell side agora Mizrahi. A gente não te escuta. Ainda não veio. Não estamos recebendo o seu áudio. Só um minutinho, pessoal. A gente vai verificar aqui o que aconteceu com áudio do Mizrahi. Enquanto isso, se o pessoal técnico puder me dizer, a gente passa para próxima e volta para o Mizrahi na sequência. Eu vou passar aqui então para o Guilherme Grespan, do JP Morgan. Guilherme Grespan - JP Morgan Oi, bom dia, pessoal. Obrigado pela apresentação e por abrir para as perguntas. Do meu lado eu queria só explorar um pouquinho mais, se vocês pudessem dar um pouco mais de visibilidade na carteira renegociada. Tem tido um aumento expressivo. A carteira renegociada em si subiu 5% trimestre a trimestre. Quando a gente olha prorrogada, que é mais relacionado ao rural, deu um salto de 38 bilhões para 45 bilhões e até olhando o fluxo novo, saindo um pouco do estoque e indo para o fluxo novo, deu um salto também expressivo aqui de quase 30%, trimestre a trimestre, nas novas contratações. Se vocês puderem dar um pouquinho de visibilidade. Aparentemente está vindo bastante de pessoa física também. Qual o tipo de produto, qual tipo de programa eventualmente está dando mais pressão aqui nessa carteira? Se puderem comentar também, em um segundo momento, com a resolução 4966 como vocês estão tratando essa carteira. Se a provisão que vocês deram disclosure do impacto da resolução tem alguma contribuição, maior ou menor, dessa carteira renegociada em termos de nível de provisionamento. Obrigado. Felipe Prince – CRO BB Perfeito, Guilherme. Muito boa a sua pergunta. Acho que já mencionei anteriormente, a carteira renegociada, o crescimento dela é muito calcado em renegociações do agronegócio Como eu disse, faz parte do nosso portfólio de soluções para mitigação do risco do agronegócio. Isso, inclusive, é previsto no Manual de Crédito Rural, que a gente tem que ser bastante criterioso. Que o que esteja alocado lá na nossa carteira renegociada seja efetivamente operações em que haja a possibilidade de recomposição da capacidade de pagamento desses clientes. Eu acho que uma métrica interessante de você observar é que a inadimplência vem controlada. Nós voltamos a ser a menor inadimplência em termos de renegociada do mercado. Obviamente, ela traz o impacto na 4966, uma vez que eu saio do modelo de provisionamento por perda incorrida e passo a provisionar essa carteira por perda esperada. Obviamente, remontando novamente ao agronegócio, se você olhar o ambiente de curto e médio prazo, ele ainda está desafiador. Embora, de médio para longo ele venha desanuviando, mas à medida que você tem que implementar um modelo nessa situação, é natural que em termos de perda esperada ele chame mais provisão. Esse sim é um componente relevante na constituição das provisões que nós fizemos no nosso balanço de partida de 4966. A gente está bastante seguro de que esse reforço foi muito prudente e, óbvio, entra a nossa capacidade de entregar a recuperação desses créditos para que a gente reduza o risco e, obviamente, esse cenário melhorando, essas provisões vão se movendo e, naturalmente, melhorando o cenário e a perspectiva de inadimplência reduzindo, é natural que haja, eventualmente, um release de provisões e isso transite para resultado. Então, repito, vai depender muito da dinâmica do mercado daqui para frente. Tem o componente, como você bem observou, de pessoas físicas e de empresas, mas eu acho que esses dois já estão mais controlados. Agora, o que a gente precisa efetivamente, é acoplar essas soluções da renegociada para os nossos clientes do agronegócio, arrefecer esse risco e acho que então a gente vai ter até algumas surpresas boas para poder apresentar aqui a partir do segundo semestre. É isso que está no nosso plano de voo e é isso que pretendemos entregar ao longo de 2025. Janaína Storti – Gerente Geral de RI Obrigada. Agora, vamos voltar com o Marcelo Mizrahi do Bradesco. Marcelo Mizrahi – Bradesco BBI Estão me ouvindo agora? Bom, primeiro uma honra enorme estar aqui com vocês falando no call e não nas reuniões fechadas e uma responsabilidade enorme falar com meus antigos colegas e com o pessoal do sell side, que eu admiro demais, que faz um trabalho fantástico e com quem eu pude aprender ao longo desses anos. Indo direto ao ponto, falando sobre a questão do crescimento da carteira de pessoa física, vocês mencionaram bastante da vontade, e se o produto do consignado privado for realmente possível de ser feito, que vocês têm todo o interesse em fazer. O banco tem toda a tecnologia e conhecimento para fazer isso. A pergunta seria a seguinte: Quanto do Guidance que tem do 7% a 11% tem disso? Ou se isso é um upside para o Guidance? A impressão que é mais para entender essa dinâmica. Essa é a primeira pergunta. A segunda pergunta, no Agro acho que é importante realmente para a gente entender qual seria o ponto de virada. O que vai ser esse ponto de virada. Mas vocês parecem bastante construtivos com as perspectivas. Então, a pergunta seria: Se a gente realmente vai ter a safa recorde, então, será que o crescimento, o Guidance, não é baixo? Se a gente vai ter uma recuperação da condição de pagamento do produtor. Vocês estão vendo essa possibilidade de inadimplência? Pelo menos os dados do Banco Central, de dezembro, mostraram uma queda. Então, se a gente começar a ter essa dinâmica virando, será que não é pouco o crescimento do Agro? E, por último, uma pergunta: O Patagônia uns anos atrás, ele era um palavrão. Quer dizer, o Patagônia era um problema. O que fazer com Patagônia? E agora, de repente, virou um negócio legal. Então, os bancos na Argentina estão falando em quadruplicar a carteira de crédito, estão falando em expansão de negócio e a gente não falou mais de Patagônia. Será que daqui a um ano a gente vai estar falando que o Patagônia dobrou o tamanho dele? Acho que queria perguntar um pouco qual é a cabeça de vocês para esse ativo que, de repente, voltou a ser um ativo interessante? Geovanne Tobias – CFO BB Bom, como você está inaugurando como sell side do Bradesco, a gente vai dar uma canja para você, porque a gente tinha pedido para cada um fazer uma pergunta e você fez três perguntas. Vamos lá, começando com a consignado privado. Sim, a gente já está incluindo aqui, claro que a expectativa, pelo menos o que nós temos ouvido, nós e os bancos como um todo, a FEBRABAN também, do governo, é que eles devem ainda no primeiro trimestre anunciar e iniciar esse processo. É a Dataprev que está fazendo toda parte tecnológica e a gente está esperando aqui para poder acoplar e buscar surfar essa onda. Claro que vai iniciar de uma maneira pequena, de uma base pequena, então as taxas de crescimento serão muito grandes. Porque não tem nada, não a gente até tem um pouco de consignado privado. É importante dizer que a gente tem R$ 1 bilhão, alguma coisa assim. Mas é muito pouco. A gente vai ter condições de crescer bastante e rapidamente. Mas, sem dúvida alguma, a nossa ênfase continua sendo no consignado setor público. Não se esqueça do reajuste salarial do salário-mínimo. Isso tem um impacto de ampliação dessa margem consignável, seja no nível de INSS, seja no servidor público. A gente pretende continuar crescendo. No ano passado, para 2024, a gente tinha colocado pessoas físicas entre 6% e 10%. Em que pese a taxa de juros ter aumentado, a gente está mais construtivo com a pessoa física, porque principalmente nos segmentos de margem menor, mais ajustada pelo risco de um retorno melhor, é aí que a gente vai estar entregando esse crescimento. A gente prefere fazer aquela underpromise/overdeliver. Então, na medida em que a gente for executando esse orçamento, é uma bússola para toda organização, e a gente perceber a necessidade de ir além, como, por exemplo, empresas a gente acabou entregando muito mais aquilo que nós tínhamos nos comprometido. Então, a gente tem muito essa visão construtiva para pessoa física, em que pese o cenário de taxas de juros mais altas. Em relação ao Agro, eu acho que é de se esperar ainda um risco mais agravado no primeiro e eventualmente no segundo. Então, a nossa perspectiva é ver essa melhora e o Prince já falou isso na resposta anterior. A partir do segundo semestre a gente espera ter boas surpresas para estar colocando para o mercado em relação ao Agro. Então, você pode esperar uma estabilização no primeiro semestre e melhora partir do segundo semestre. Por último, Patagônia. Patagônia sem dúvida alguma os bancos de investimento estão batendo na nossa porta, todos com ideias mirabolantes. O que a gente percebe, sem dúvida alguma, é que o ambiente na Argentina tem melhorado bastante. A precificação, inclusive dos agentes financeiros, é melhor. Existe uma quantidade muito grande de instituições financeiras, de instituições de pagamento na Argentina. É de se esperar uma consolidação desse mercado e a gente está atento a isso. Temos um time nosso que atua lá, como presidente, como diretores. A diretoria é nossa, temos o controle desse banco, mais de 80% de participação. Nós temos sim uma expectativa de, na medida em que haja oportunidade, de crescer crédito. Mas de uma maneira muito controlada, olhando muito a questão do risco. Existem ali oportunidades que estão acontecendo e que estamos aproveitando. Tem dados do Patagônia nas nossas demonstrações que vocês vão ver. Carteira de crédito já crescendo. Existe aí um ambiente, um arcabouço jurídico, que facilita, por exemplo, financiamento de veículos, a recuperação disso rapidamente, até mais ágil do que aqui no Brasil. Então assim, a gente está olhando todas as oportunidades e a gente acredita que sim, é um braço importante da nossa estratégia global estarmos próximos e relevantes para os nossos clientes, em todas as geografias em que eles estiverem. Também somos o maior financiador do comércio exterior e a Argentina é um grande parceiro comercial do Brasil. Então, não tem como a gente não olhara para isso. O Patagônia é a nossa ponta de lança naquele mercado. Com a estabilização, a gente tem muitas oportunidades. Então assim, vocês vão estar ouvindo sim com mais frequência a gente falando de Patagônia. Tarciana Medeiros - Presidenta do Banco do Brasil Geovanne, no Guidance de pessoa física eu acho que é interessante, falando ainda do consignado do eSocial, eu acho que é interessante a gente trazer um ponto. O mercado vai passar a observar a partir do início das contratações do consignado do eSocial. Vai ser talvez uma migração de contratação de crédito pessoal para o consignado do eSocial. Então, a gente tem expectativa também de redução do risco do sistema financeiro como um todo, na linha de crédito pessoal. A tendência é que, quem hoje acessa crédito pessoal a uma taxa muito elevada, mas é funcionário da empresa de setor privado, passe a ter acesso a uma linha de crédito com uma taxa de juros mais adequada à linha de crédito consignado, até pela segurança que ela traz. Então, tem também uma tendência, essa linha confirmando o sucesso que a gente espera para ela, de maior estabilidade no que diz respeito à inadimplência de pessoa física quando a gente observa a tomada de crédito pessoal. Então, nesse Guidance que está de 7% a 11%, a gente tem a previsão também de uma migração, no nosso caso, da nossa carteira, também de quem tem crédito pessoal, mas é público-alvo para o consignado do eSocial, dessa migração de uma linha para outra, em que eu vou reduzir sensivelmente o risco. Então, quando a gente fala, “poxa é um oceano azul para o banco, a gente vai navegar nesse oceano”. Por que não é um Guidance muito maior? Se tem uma possibilidade de sair de 40 para 300? Porque nós temos outras linhas de crédito que, de forma muito responsável, se o cliente é público-alvo dessa linha, nós vamos buscar ofertar para ele a migração de uma linha de crédito mais cara, mais arriscada, para uma linha de crédito mais barata e mais adequada à capacidade de pagamento. Então, eu acredito em um segundo semestre em que a gente vai ter uma visão mais adequada do que acontece com essas duas carteiras. Mas esse intervalo do Guidance é muito adequado para pessoa física. Geovanne Tobias – CFO BB Partindo da premissa de que haja efetivamente o lançamento e o desenvolvimento desse produto agora, do primeiro trimestre para o segundo trimestre. Felipe Prince – CRO BB E se eu puder complementar, acho que a Tarci foi feliz, porque essa linha traz desalavancagem para o sistema, trazendo desalavancagem, ela recompõe a capacidade de pagamento das famílias e a gente confia muito na nossa capacidade de execução. Para você ter uma ideia, Mizrahi, os nossos clientes, que a gente chama de proventistas, que são clientes que recebem aqui pelo banco, a gente tem uma posse de produtos que chega a ser 10 vezes superior a clientes que não tem o seu provento pago aqui pela instituição. A partir do momento que eu atraio clientes que passam a receber aqui pelo banco, a minha possibilidade de alavancar em negócios com essa nova base também é muito ampla. Isso sim não está capturado é aqui no nosso Guidance, mas é uma externalidade positiva que vai advir do consignado do eSocial. Complementando o Agro, você perguntou se o crescimento seria tímido. Nós estamos falando de um crescimento do PIB do Agro de 6%. Então, o intervalo aqui de 5 a 9 não é tímido, ainda mais se você pegar os sucessivos crescimentos de base, sempre superior a dois dígitos, que a gente vem experimentando desde 2023. E, por fim, até para não aparecer oportunismo, o Patagônia, desde que nós assumimos, a gente levou uma estratégia do que ser feito por aquele banco e a nossa estratégia vem sendo, com toda disciplina, executada pelos colegas expatriados que conduzem o banco lá na Argentina. Obviamente, a gente tinha um mandato prioritário de tesouraria nos primeiros anos, que era oportunidade que aparecia, mas agora a gente já identifica que oportunidades em crédito vão aparecer e o que a gente quer é expandir para aproveitar essas oportunidades, mas com toda segurança. Hoje, entre os peers comparáveis, o Patagônia, em capital aberto lá na Argentina, nós temos a menor inadimplência. Então, a ideia é alavancar esse negócio, inadimplência sob controle, gerando margem líquida satisfatória para a gente inclusive poder oferecer um atendimento complementar aos nossos clientes, principalmente aqueles do segmento atacado que têm essa via de mão-dupla de negócio com a Argentina. Tarciana Medeiros - Presidenta do Banco do Brasil Prince, quando a gente fala de capacidade, eu acho interessante, só para dar um exemplo nessa nossa capacidade de ocupar margem consignável quando a gente fala de crédito de pessoa física. Há poucos dias foi anunciado o aumento de prazo para o convênio do INSS. Essa semana, nesses primeiros dias, nós já passamos dos 50 mil contratos renegociados no novo prazo do INSS. Então, acho que diz um pouco da nossa capacidade, quando se trata dessa capacidade de conseguir buscar muito rápido. Eu acho que esse exemplo traz um pouco dessa capacidade que nós temos. Marcelo Mizrahi – Bradesco BBI Obrigado, pessoal. Janaína Storti – Gerente Geral de RI Obrigada. Bom, pessoal, vou passar aqui para a próxima pergunta, do Gustavo Schroden, do Citi. Gustavo Schroden - Citi Oi, bom dia, pessoal. Obrigado pela oportunidade. Uma parte das minhas perguntas já foram respondidas, mas acho que aqui Guidance tem um tema que acho que está chamando à atenção e que não foi explorado ainda. É a questão do crescimento das receitas de prestação de serviço. Se a gente olhar o ponto médio do Guidance, a gente está falando de praticamente zero de crescimento, dependendo do ponto baixo a gente está falando de queda. Normalmente, essa linha não é uma correlação perfeita, mas ela anda de acordo com a atividade creditícia. Você tem uma leve correlação, mas ela sempre anda nessa linha. Existe um crescimento da carteira, vocês colocaram. Eu queria entender, tem alguma coisa aqui que a gente deveria prestar atenção? O que está por trás, vamos dizer assim, de um Guidance de crescimento de prestação de serviço mais conservador? A gente olha também até para eficiência, porque a despesa operacional tende a crescer levemente acima da inflação do ponto médio, de acordo com as nossas contas. Então, queria explorar esse tema com vocês. Obrigado. Geovanne Tobias – CFO BB Bom ponto, Schroden. O que que acontece aqui? Com a 4966, as receitas ligadas ao crédito não serão mais contabilizadas aqui, elas têm que ir para margem. E aquelas tarifas de crédito, que você recebia na cabeça, você vai ter que diferir ao longo da vida do contrato. Então, esse foi até um tema que a gente debateu na hora de montar o Guidance. Como é que a gente iria orientar vocês? O que esperar, olhando agora para receita de prestação de serviços ex receitas provenientes da operação de crédito? Se a gente fosse fazer a comparação, eu teria um arranjo de -3% a 3%, 4% de crescimento. Então, a gente até mudou a maneira de evidenciar isso e estamos trabalhando com arranjo de valor, de R$ 34 bi a R$ 36 bi. E aqui vai ser eminentemente as receitas provenientes de fundos de investimento, das empresas de seguros, de meios de pagamento. Chamando à atenção aqui, no caso de meios de pagamento, por exemplo, uma parte importante de Cielo que vem tudo por equivalência patrimonial e a gente não realoca para cá, entendeu. Aqui é eminentemente tarifa. Tarifa da conta corrente, consórcios, que é uma outra que também contribui bastante, as de mercado de capitais. Então, assim, até por uma questão de comparação, olhando o Guidance de 2025 para 2024, acaba meio que perdendo um pouco essa comparabilidade. Então, a gente optou por jogar aqui. Mas sem dúvida alguma, se eu fosse tentar neutralizar nas duas, a gente está falando de um crescimento perto de 4% a 5%. A gente olha essa linha como a linha importante para cobrir as nossas despesas administrativas. A gente tem esse índice de cobertura no patamar de 90%, quase 100%. A gente mira ter 100% de crescimento. De fato, na parte de despesas administrativas, a gente vem fazendo um trabalho constante de melhoria de processos, de investimento em tecnologia, mas ao mesmo tempo de controlar custos. A gente tem, e isso é um mantra para o Banco do Brasil, a gente tem que aprender a fazer mais com menos. A gente tem um índice de eficiência extremamente competitivo de 25%. A gente conseguiu reduzir o Guidance, uma vez que estava agravando o risco de crédito no rural, vamos apertar mais o cinto para a gente tentar pelo menos trazer um pouco de ganho vindo da economia de despesas. Reduzimos para baixo e ainda entregamos um crescimento despesa abaixo da ponta baixa do nosso Guidance. Então, assim, isso é o que a gente vai continuar monitorando ao longo de 2025. Já está dado o reajuste salarial da categoria. A gente tem um turnover natural da base de funcionários do banco, em torno de 1.500 funcionários anuais que saem do banco. A gente está chamando mil agora, especificamente para tecnologia e sempre com esse intuito de buscar melhorias de eficiência. Então, você teria que olhar essas duas linhas dessa maneira. As despesas administrativas, a gente vai estar provavelmente em linha com a inflação e como tem uma despesa um pouco maior na parte de tecnologia, a gente vai estar buscando controlar isso daí. É isso que a gente vai fazer. Gustavo Schroden - Citi Super claro. Obrigado. Janaína Storti – Gerente Geral de RI Obrigada, Schroden. A nossa próxima pergunta vem do Eduardo Nishio, da Genial. Eduardo Nishio - Genial Bom dia a todos. Bom dia, Tarciana, Geovanne, Prince, Janaína. Minha pergunta é um pouquinho follow up em relação ao consignado privado, eSocial. Se vocês pudessem, vocês que estão próximos de Brasília, próximos provavelmente, fazendo parte das discussões com o governo, eu queria saber os detalhes um pouco maiores sobre esse produto. O que acontece quando, por exemplo, o empregador para de pagar? Como é tratada inadimplência? O que acontece com a inadimplência quando, por exemplo, o empregado está saindo de uma casa e indo para outra? Como é que vocês vão tratar isso? O produto em si. E se vocês têm alguma inferência do que poderia ser inadimplência desse produto em um patamar já mais de voo de cruzeiro. Provavelmente maior do que consignado INSS, de consignado do funcionário público. Mas se vocês tiverem uma ideia para dar para a gente iria ajudar bastante a entender mais o produto. Obrigado. Tarciana Medeiros - Presidenta do Banco do Brasil Obrigada. Olha só, em relação aos detalhes do produto, a regulamentação está em construção, está para sair. Mas eu te diria que é um produto de consignado muito em linha com o consignado do setor público. Então, os detalhes que virão na regulamentação, virão muito em linha de guiar como vai ser feito o processo de contratação, de consignação, de averbação de margem, de desaverbação de margem. Nós teremos nessa regulamentação esses detalhes. Não tenho para te afirmar aqui todos os detalhes desse produto. Está em construção lá com o Ministério do Trabalho, o Ministério da Fazenda e com a Dataprev, que é a empresa de tecnologia do governo que vai operar, mas eu diria que muito em linha com os detalhes de produto que nós temos já para o consignado setor público. Em relação à inadimplência. Eu não tenho como te dizer para o futuro quanto seria um percentual de inadimplência, por que será um produto muito novo, que abre a possibilidade para um mercado inteiro. Mas com certeza, pelo menos aqui falando de Banco do Brasil, vai ser um produto que fica em linha com a inadimplência que nós observamos para o consignado setor privado. Então, a expertise, quando eu digo que o Banco do Brasil vai entrar forte nesse mercado, nós vamos levar a expertise que nós temos da relação com os empregadores no setor público. Então, entender quem é o empregador, entender a constância dele de pagamento do eSocial, entender que não há atrasos no relacionamento do empregador com o governo nos pagamentos dos benefícios sociais de FGTS, INSS etc. Esses são sinais importantes que nós vamos avaliar, também dos empregadores, para analisar o risco de concessão desse crédito. Então, eu acredito que levando em consideração esse tipo de análise, por exemplo, vai ser uma inadimplência muito em linha com o que a gente já observa do consignado setor privado que nós temos hoje no banco. Em relação à garantia de recebimento em caso de demissão ou de saída desse funcionário, assim como acontece no setor público, se um funcionário é demitido, se ele sai, na rescisão contratual dele é debitado o valor do saldo devedor do crédito. Então, para o eSocial acredito que vá funcionar dessa mesma forma. Mas não quero te antecipar detalhes da regulamentação porque ela ainda não saiu. Então, a gente precisa aguardar essa regulamentação para eu te dar segurança nessas respostas que eu estou te encaminhando. Mas uma segurança você pode ter: a mesma análise que a gente faz de risco para concessão do crédito consignado setor público, para análise do risco do empregador, nós vamos replicar para concessão de crédito consignado do eSocial. Geovanne Tobias – CFO BB Tarci, seu eu puder também trazer um pouco aqui par o debate. É importante até quem está formulando isso levar em consideração que, se efetivamente eles querem uma linha que permita o acesso a um crédito mais barato, essas garantias de liquidação têm que estar presentes. Porque, se não, é quase que um não consignado. Deixa de ser consignado. Tarciana Medeiros - Presidenta do Banco do Brasil Acho que traz um pouco de segurança falar disso, a gente não pode esquecer, que foi o mesmo governo que há 20 anos lançou, com muito sucesso, o consignado setor público. Então, esse consignado setor público, ao longo dos anos foi evoluindo. Hoje nós temos o melhor modelo de concessão de crédito consignado. Com averbação de margem online, com disponibilização do crédito online. Então, acredito que essa legislação que está sendo desenhada, essa normatização, vem muito em linha com o produto que já existe há 20 anos, que já é um sucesso. Então, a gente não pode esquecer que é o mesmo governo, que desenhou esse produto lá atrás e que é um produto de sucesso. Que mudou completamente a dinâmica de concessão de crédito para pessoa física no mercado brasileiro e que agora vem com a normatização e com a regulamentação do consignado para o setor privado. Essa desintermediação, em que vai ser possível acessar diretamente através do eSocial, sem a necessidade da relação direta com o empregador, fará uma diferença muito grande para a concessão desse crédito. Eduardo Nishio - Genial Ficou muito claro. Obrigado. Janaína Storti – Gerente Geral de RI Maravilha. Obrigada, Nishio. A nossa próxima pergunta vem do Pedro Leduc, do Itaú. Pedro Leduc - Itaú Boa tarde a todos. Obrigado pela oportunidade de fazer a pergunta. Queria voltar rapidamente na questão de capital e a decisão de alterar ligeiramente o payout de dividendos. Eu pergunto por que exatamente um ano atrás teve a decisão de subir o payout, historicamente de 40% para 45% e vocês sempre têm um horizonte de alguns anos que vocês sempre mapeiam os ofensores de capital, o que vai acumular. E quando eu olho um ano para trás, eu não vi tantas surpresas. O lucro ficou em linha, a carteira ficou em linha. A 4966 já era sabido que iria vir. Queria entender primeiro o que teve de mudança nesses últimos 12 meses e forçou vocês, não foi forçar, mas foi mais prudente vocês baixarem um pouquinho o range. Trabalhar com range de payout. Já me precavendo um pouquinho também como eu tenho que pensar em 2026 que tem vários outros ofensores. Por fim, caso estejamos caminhando para o final do ano com o capital um pouco mais confortável, acima dos nove aí que o Geovanne mirou, a gente deve pensar no payout pleno, nos 45 ou reinvestir isso mais em oportunidades de crescimento? Obrigado. Geovanne Tobias – CFO BB Obrigado Leduc, pela pergunta. Tudo isso passa pela nossa mente. Quando a gente colocou um payout de 45% a gente reconhecia até o que o mercado já vinha falando. A gente estava com um capital principal acima de 12%. A gente fez vários movimentos ao longo desse período, além de melhorar a remuneração para o nosso acionista. A gente fez o fechamento de capital da Cielo, nós fizemos a recompra na BB Seguridade. Então, nós tivemos aí um reinvestimento, digamos assim, desse capital em algumas frentes que para nós seriam importantes, além de remunerar vocês. Tínhamos também essa expectativa do risco operacional. Então a gente foi bastante conservador, porque a gente não quer daqui a pouco ter que fazer restrição. A gente quer continuar expandindo esse negócio, o nosso negócio, com o intuito de gerar resultados sustentáveis. Olhando 2024, nós tivemos o agravamento do risco do Agro, que sem dúvida alguma, eu poderia estar entregando resultados até maiores se não fosse ao agravamento de risco e o consumo de parte do meu resultado proveniente do aumento de provisão para essa carteira. Uma carteira que vinha ali no 0,5% a 1% de risco e foi agora para 2,5%. Então, como a gente está nesse momento ainda transicionando para 4966, o que é implementação de perda esperada, em 2026 temos um ajuste também que vai vir no risco de mercado. Então, tudo isso a gente coloca. É claro que a gente está mirando em pagar os 45%. Mas a gente vai, de uma maneira mais conservadora agora nesse início, por isso que a gente abriu o range, para dar essa flexibilização para nós, de buscar essa otimização desse nosso capital, mirando em um ICP de 11%. Dezembro veio abaixo por conta dessa volatilidade da abertura da curva e do câmbio. A gente já falou isso, mas já está voltando para 11% novamente e a depender da geração desse resultado, do controle dessa inadimplência no rural, a gente vai ter condições de estar remunerando os 45. Mas a gente vai deixar rodar o primeiro semestre para ir percebendo, e aí a gente vai estar com esse compromisso com vocês, entre 40% e 45%. A gente vai ter que continuar pagando IHCD. Então, tem algumas outras variáveis que a gente também está colocando dentro da visão de até 3 anos e temos para nós um limite do que a gente considera como prudencial, que é acima do regulatório. Então, tudo isso faz com que a gente faça essa estimativa de uma maneira conservadora e sempre percebendo as oportunidades. Tendo oportunidades eventualmente para a gente poder estar crescendo inorganicamente, a gente vai olhar, mas sempre para não criar um constrangimento de capital principal. Até porque não temos espaço para ampliar esse capital via mercado de capitais. Basicamente é isso. Felipe Prince – CRO BB Poderia até contribuir rapidinho, Pedro. Até para não ficar a impressão de que a gente não sabia que o que viria pela frente. Tudo isso fazia parte da composição do nosso plano de capital. Acho que o Geovanne inclusive citou todas as questões estratégicas que nós fizemos durante 2024, não foi pouca coisa. Foi payout de 45%, foi OPA da Cielo, foi recompra dos Bambras, foi recompra de ações BB seguridade, foi devolução de IHCD. Nós implementamos o risco operacional na base de 2024, então esse já estava colocado. E o que levou a gente a propor ao nosso Conselho de Administração essa flexibilidade para a gente tocar o banco, a operação, a partir de então? A nossa ambição é: gerar capital orgânico para financiar o RWA. Eu acho que agora a gente tem um balanço bastante robusto de partida da 4966 e uma capacidade de dirimir risco, principalmente naquelas carteiras que tem nos ofendido, como a do Agro. Então, a ideia agora é a nossa composição orgânica de capital ser suficiente para financiar o nosso RWA e é isso que a gente pretende tocar daqui para frente. Até porque, como Geovanne colocou, tem a discussão de FRTB, mas ainda tem uma indefinição na indústria de quando isso vai acontecer. Se fica mesmo para janeiro de 2026 ou se posterga. Enfim, em função dessas questões, tendo um cenário desanuviado, mais oportunidades que possam aparecer, a gente optou por ter essa prerrogativa. Mas reafirmando aqui, a nossa intenção é chegar lá no fim do ano e, quem sabe, pagar os 45%. Pedro Leduc - Itaú Obrigado a todos e parabéns pelo ano. Janaína Storti – Gerente Geral de RI Obrigada. Pessoal, a gente está chegando aqui ao final. Eu vou chamar para fazer a última pergunta o Carlos Gomez Lopez do HSBC. Carlos, não sei se você quer fazer sua pergunta em português ou em inglês. Carlos Gomez Lopez - HSBC Vamos tentar. A minha pergunta é a clássica sobre planos econômicos. O fato que os senhores têm uma provisão muito grande, especialmente neste trimestre, R$ 1,6 bilhões. Sabemos que temos mais um ano de provisões para planos econômicos. Tem um aumento de quase 41% em 2024. Qual a expectativa de quanto terão que provisionar durante o ano 2025 e será, finalmente, o último ano que teremos este gasto no banco? Obrigado. Felipe Prince – CRO BB Perfeito, Carlos. Boa pergunta. O Geovanne, inclusive, é o nosso representante lá na FEBRABAN e a gente tem feito negociações bastante fortes para que a gente continue sendo abarcado pelo acordo com o Supremo Tribunal Federal. A ideia é que haja ou uma prorrogação desse acordo ou, obviamente, que a questão seja definitivamente transitada em julgado porque isso inclusive abriria espaço para que façamos acordos, ou criaria ali um gatilho para que os demandantes nos procurassem. A gente já procura bastante, mas que a gente também fosse procurado para poder resolver essas demandas. Na perspectiva de curto e médio prazo, você vai continuar vendo, pelo menos nos próximos dois anos, alguma pressão relacionada a planos econômicos. Porque, ou a gente mantém os níveis de provisão para poder fazer frente a um acordo que vai ser prorrogado ou, que é a nossa principal vontade aqui, e a gente reafirmou em outras divulgações, estabelecer uma estratégia de fomento aos acordos e encerrar definitivamente é essa demanda. Então, é isso que a gente busca. O nosso mandato aqui é tirar isso o mais rápido possível. Óbvio, respeitando as condições econômicas para fazer e estabelecer esses acordos, para que a gente possa tirar isso da frente e, obviamente, poder proporcionar aos nossos investidores a remuneração integral dos resultados que a gente entrega. Carlos Gomez Lopez - HSBC A expectativa é que teremos uma prolongação e, portanto, mais de um ano de provisões, no futuro? Geovanne Tobias – CFO BB No âmbito da FEBRABAN, Carlos, junto com a Advocacia Geral da União e o Supremo Tribunal Federal. Então, assim, o prazo para finalizar esse acordo vence agora em junho, mas eu sei que a FEBRABAN já está conversando para ter uma definição final a respeito desses planos econômicos. Janaína Storti – Gerente Geral de RI Obrigada, Carlos. Eu tinha anunciado a última pergunta, mas entrou mais uma aqui, mais um analista na fila. Eu vou fechar então com o Nicolas Riva, do Bank of America. Nicolas, você pode fazer a sua pergunta. Nicolas Riva – Bank of America Ótimo. Obrigado Janaína e a equipe pela pergunta. Eu só tenho uma pergunta, como sempre, sobre o título AT1. Os títulos AT1 foram a 8,74%, dado que vocês concluem a cada 6 meses. A minha conclusão de tudo que vocês falaram durante o call, eu também estou olhando o Guidance, e como temos visto o desempenho, cerca de 20% de RSPL e payout de dividendos entre 40% e 45%. E eu acho que ouvi dizerem que a ideia é gerar capital organicamente para financiar os ativos de maior risco. A minha impressão é que não há pressa do banco para fazer call do título de 8,74% e também se vocês forem emitir, não poderiam emitir significativamente abaixo do que vocês pagam. Mas gostaria de ouvir a opinião de vocês sobre isso. Obrigado. Geovanne Tobias – CFO BB Olá, Nicolas. Obrigado pela pergunta. Essa é uma questão que a gente vem analisando. Estamos analisando as oportunidades, a gente tem até abril para fazer o call desse AT1, mas a gente não vai fazer isso em abril. A gente talvez faça em outubro. O número de cupom que os bancos de investimento têm me mostrando não são tão atraentes quanto eu gostaria de ver e eu tenho conseguido emitir esses títulos aqui internamente, com taxas bastante atrativas e com volumes bastante sólidos. Então, a gente vem olhando isso com atenção e, dependendo de como o nosso capital desempenhar ao longo de 2025, então, talvez no segundo semestre a gente analise a oportunidade para fazer o call. Se houver mercado e se houver oportunidade financeira para nós emitirmos novos AT1 no exterior, a gente vai considerar. Mas neste momento, não vejo isso acontecendo. Nicolas Riva – Bank of America Ok. Só uma continuação. Vocês considerariam fazer call daquele de 8,74% e manter o seu AT1 no mercado local ao invés do mercado global? Geovanne Tobias – CFO BB Sim, é possível. Desde que seja mais atrativo em termos financeiros emitir internamente, então eu posso efetuar o call e fazer essa emissão nacional. Mas apenas do ponto vista financeiro. Janaína Storti – Gerente Geral de RI Ótimo, obrigada! Nós finalizamos agora a nossa sessão de perguntas e respostas. Eu gostaria de agradecer a presença de todos aqui e dizer que nós ficamos à disposição também para qualquer eventual esclarecimento adicional com o time de RI. Obrigada e até a próxima.