Speaker,Text Eduardo De Nardi,"Bom dia. Sejam todos muito bem-vindos ao webcast da Petrobras com analistas e investidores sobre os nossos resultados do primeiro trimestre de 2024. É um prazer estar aqui com vocês hoje. Esse evento vai ser apresentado em português, com tradução simultânea para o inglês. Os links para os dois idiomas se encontram em nossa página de Relacionamento com Investidores. Gostaríamos de informar que todos os participantes acompanharão a transmissão pela internet como ouvintes. Depois da nossa introdução, teremos uma sessão de perguntas e respostas. Vocês podem enviar as suas perguntas pelo e-mail petroinvest@petrobras.com.br. Estão presentes hoje conosco: Clarice Coppetti, Diretora Executiva de Assuntos Corporativos; Cláudio Schlosser, Diretor Executivo de Logística, Comercialização e Mercados; Fernando Melgarejo, Diretor Executivo de Financeiro e Relacionamento com Investidores; Mário Spinelli, Diretor Executivo de Governança e Conformidade; Maurício Tolmasquim, Diretor Executivo de Transição Energética e Sustentabilidade; Renata Baruzzi, Diretora Executiva de Engenharia, Tecnologia e Inovação; Wagner Victer, Diretor Executivo em Exercício de Exploração e Produção; William França, Diretor Executivo de Processos Industriais e Produtos. Também contamos com outros executivos da companhia. Para iniciar, vamos assistir um vídeo com uma mensagem da nossa Presidente Magda Chambriard." Magda Chambriard,"Bom dia a todos. Eu agradeço a participação dos investidores, analistas e de toda a audiência aqui conectada conosco hoje. Sobre os resultados do 2T24, eu posso dizer que foram sólidos e ocorreram completamente dentro do esperado. Evento não recorrente, como o Acordo Tributário com o Ministério da Fazenda, trouxe vantagens expressivas para a empresa e para a União, vantagens essas que foram reconhecidas pelo mercado. Além disso, a marcante volatilidade cambial do período, sem nenhum efeito no caixa nem no patrimônio da companhia, impactou a contabilidade interna da empresa, afetando o resultado do trimestre. Mas, como o diretor Fernando vai apresentar nossos resultados detalhadamente, ressaltando o fluxo de caixa livre, o lucro do período e os eventos recorrentes e não recorrentes que influenciaram o nosso resultado, eu vou aproveitar esse espaço para falar sobre o futuro que nós queremos para nossa companhia. Senhoras e senhores, nossa maior prioridade é construir o caminho para que a Petrobras seja longeva e tão ou mais relevante para o Brasil do que é hoje. E é isso que só será possível se nós permanecermos crescendo com eficiência e rentabilidade. Isso significa que temos que ser ágeis, com total observância à segurança das operações, às pessoas e às regras de governança estabelecidos. Precisamos ser ágeis para manter o nosso histórico de reposição de reservas enquanto, rumo ao net zero, buscamos mais fontes de energia limpa. É muito importante que se diga que, sem reposição de reservas de petróleo e gás, a Petrobras estaria fadada ao insucesso. Tudo o que nós somos hoje é fruto da nossa capacitação tecnológica e da firme disposição dos petroleiros e petroleiras de superar desafios e vencer inúmeras dificuldades inerentes à exploração e produção offshore com segurança e respeito ao meio ambiente. Foram esses esforços que culminaram com a transformação do pré-sal em uma riqueza incontestável para o Brasil. Senhoras e senhores, embora ainda existam oportunidades exploratórias no pré-sal e nas bacias do Sudeste, nós não podemos renunciar à exploração responsável das bacias da margem equatorial brasileira. É fundamental para a Petrobras e para o Brasil que obtenhamos licença para perfurar os poços exploratórios necessários. Isso porque, se confirmado o potencial da área, serão absolutamente incontestes para a sociedade os resultados em termos de emprego e renda. Além da margem equatorial, precisamos continuar com a exploração da Bacia de Pelotas, área também promissora no Sul do Brasil. Estamos atentos às oportunidades em territórios estrangeiros, especialmente na América do Sul e nas bacias da margem atlântica da África. Lembramos que no último fim de semana descobrimos gás natural na costa da Colômbia, em um bloco com elevado potencial para novas descobertas. Senhoras e senhores, é agilidade e competência o que vai nos permitir antecipar para este ano a entrada em produção do FPSO Maria Quitéria no Campo de Jubarte. Nós temos ativos excelentes, de altíssima rentabilidade, e vamos aplicar toda a nossa expertise para gerar mais valor para os nossos acionistas governamentais e privados. Ainda para esse ano, nós teremos a entrada em operação do Gasoduto Rota 3, aumentando a oferta de gás do pré-sal para o mercado brasileiro. E é nesse contexto que nós estamos atentos às oportunidades para a expansão do mercado de gás. Aquelas oportunidades que incluem seu uso tanto como combustível quanto como matéria-prima. Buscaremos retomar as operações de fertilizantes e petroquímicas porque elas agregam valor à nossa produção de gás natural. Nossa visão de longo prazo tem como foco investimentos em E&P e a busca por diversidade de fontes de energia renovável. São esses dois elementos os essenciais para garantir o crescimento e a rentabilidade da empresa nas próximas décadas. Aos nossos investidores, garantimos o respeito à lógica empresarial, à transparência e à nossa governança. Governança essa reconhecida como acima da média das empresas brasileiras, aí incluídas as empresas de petróleo atuando no Brasil. Garantimos disciplina de capital e alavancagem controlada. Garantimos que faremos isso considerando os investimentos necessários ao crescimento da empresa e reconhecendo a demanda dos acionistas governamentais e privados por dividendos. Entendemos que, dessa forma, estaremos contribuindo para movimentar a economia do país e para atender aos anseios mais profundos dos nossos acionistas. Por fim, eu quero agradecer a atenção e a confiança de todos e todas e enfatizar que temos o firme compromisso de manter o diálogo e a transparência para demonstrar a relevância das nossas escolhas para construir uma companhia ainda mais sólida e rentável. Muito obrigada!" Eduardo De Nardi,"Obrigado, Presidente Magda. Agora vamos iniciar a nossa apresentação sobre os resultados do 2T24. Eu peço atenção ao nosso segundo slide com um disclaimer tradicional em relação às nossas perspectivas de projeções futuras. Passo a palavra agora para o nosso Diretor Financeiro e de Relacionamento com investidores, Fernando, que seguirá com a apresentação. Por favor, Fernando, a palavra é sua." Fernando Melgarejo,"Bom dia a todos, bom dia a todas. É um enorme prazer estar aqui com vocês hoje, trazendo e discutindo o resultado do 2T24. Como a presidente nos trouxe aqui, estamos em uma visão de uma jornada de crescimento, e é nessa ótica que toda essa equipe de diretores e todos os funcionários da Petrobras têm entendido essa nova jornada que temos aqui. E tudo no sentido de sermos cada vez mais importantes para a sociedade, levando dividendos, retornos adequados a todos os shareholders e stakeholders. Bem, começo com os destaques operacionais que estão aqui no slide 4, onde temos os principais. Eu quero trazer ênfase para alguns deles. Entregamos no primeiro semestre de 2024 a produção planejada para os dois primeiros trimestres do ano, de 2,7 milhões de barris de óleo equivalente por dia. E, nos últimos 12 meses, crescemos a produção de petróleo e gás em cerca de 2,4%. Importante salientar que a contribuição da produção do pré-sal neste 2T24 chegou a 81% da produção total de óleo e gás da companhia. Portanto, novos sistemas de produção serão importantes para o nosso crescimento. O Marechal Duque de Caxias tem capacidade de produzir até 180.000 barris de óleo e de comprimir até 12 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Já o FPSO Maria Quitéria chegou na última segunda-feira no Brasil, dia 05/08/2024, e será direcionado à locação do Campo de Jubarte. A unidade tem capacidade de produção de 100.000 barris de óleo e de 5 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. Já o Almirante Tamandaré, em Búzios, que saiu do estaleiro em julho e tem previsão de chegada no Brasil ainda este ano, a plataforma será a primeira unidade de alta capacidade da Petrobras, com potencial para produzir até 225.000 barris de óleo por dia e processar 12 milhões de metros cúbicos de gás. A entrada em operação está prevista para o ano que vem. Todas essas unidades fazem parte de uma nova geração de plataformas mais eficientes e têm capacidade nominal de quase 400.000 barris por dia para a Petrobras, cerca de 15% de nossa produção hoje. Como vocês podem ver, temos boas perspectivas para começar um novo ciclo de crescimento de produção. Sobre refino, mantivemos um alto nível de processamento com fator de utilização acima de 90%, aproximadamente 91% para ser mais exato, no segundo trimestre, e com maior volume de vendas de derivados em relação ao trimestre anterior. Tivemos um melhor rendimento no refino com produção de diesel, gasolina, QAV, atingindo quase 70% do volume total produzido, demonstrando o esforço contínuo e a eficiência e versatilidade nas plantas de processos. Outra boa notícia: as obras da Unidade de Processamento de Gás Natural do Gaslub já estão em fase final. Em agosto teremos um marco relevante este mês da obra, que é o início da pressurização reversa do gasoduto, visando equalizar a pressão de trecho raso com o trecho profundo que já está em operação. A expectativa é que o primeiro gás comercial ocorra neste trimestre ainda. O projeto integrado Rota 3, do qual faz parte a UPGN, é estratégico para a Petrobras e para todo o país, pois viabilizará o escoamento e processamento de 21 milhões de metros cúbicos de gás natural e o incremento da oferta de gás natural para o mercado brasileiro, reduzindo a dependência das importações de GNL. Nosso bom desempenho operacional foi essencial para os resultados que passamos a apresentar no slide seguinte. Mantivemos nossa trajetória de resultados consistentes. Tivemos uma geração de caixa robusta. Atingimos o menor nível da dívida financeira desde o terceiro trimestre de 2008, ou seja, cerca de 16 anos atrás, e crescemos em 12,5% o CAPEX neste semestre em relação ao mesmo período anterior. Mais à frente vamos detalhar um pouco mais o impacto de alguns eventos que foram excluídos no segundo trimestre. Esses impactos têm efeitos essencialmente contábeis e afetam o caixa da companhia de forma absolutamente residual. Excluindo esses eventos, o lucro líquido do segundo trimestre alcançou US$ 5,4 bilhões, EBITDA de US$ 12 bilhões e um fluxo de caixa de cerca de US$ 10 bilhões, totalmente em linha com o trimestre anterior. Destacamos também que, nesse trimestre, a aprovação da retomada da operação de Ansa permitiu a reversão de perda do implante de cerca de R$ 200 milhões. E, finalmente, em termos da nossa contribuição para a sociedade, tivemos um aumento de 24% no pagamento de tributos em relação ao mesmo período do ano anterior. É sempre importante destacar que mais da metade da geração de caixa da companhia retorna para a sociedade. Somente no segundo trimestre de 2024 foram R$ 70 bilhões em pagamentos de tributos para o governo federal, estadual e municipal. Portanto, uma contribuição importante e expressiva da companhia a toda a sociedade. No slide seguinte, detalhamos os eventos exclusivos do trimestre que impactaram o resultado contábil com efeito residual no caixa, como já anunciamos anteriormente. No 2T24, houve uma significativa desvalorização do câmbio, como todos puderam presenciar. A desvalorização de 11% do real em relação ao dólar gerou um impacto negativo de US$ 2,3 bilhões no nosso resultado. É importante que todos observem que este impacto ocorreu devido a uma obrigação em dólar entre empresas Petrobras e, portanto, não gera efeito real para nossa empresa, apenas contábil. Outro impacto relevante foi a adesão à transação tributária amplamente divulgada. Os efeitos da adesão que o mercado julgou positivo para a Petrobras resultaram em uma despesa de US$ 2,1 bilhões e, com isso, encerramos disputas judiciais no valor de R$ 45 bilhões. Do ponto de vista econômico, uma negociação bastante vantajosa para as empresas, tanto que outras empresas do setor também estão aderindo ao programa. Também tivemos outros eventos exclusivos durante o trimestre, na ordem de US$ 1,3 bilhão. Esses eventos resultaram num prejuízo contábil neste trimestre de US$ 300 milhões. Expurgando esses eventos exclusivos, reforço, alcançamos o lucro de US$ 5,4 bilhões, que é o mesmo patamar do resultado operacional do trimestre passado. Seguindo para o próximo slide. Nesse slide 7, vemos que alcançamos resultados bastante expressivos com EBITDA e fluxo de caixa operacional; excluindo os impactos dos eventos exclusivos que afetaram o trimestre, nosso EBITDA atingiu US$ 12 bilhões, em linha com o reportado no trimestre anterior. O fluxo de caixa ficou em torno de US$ 10 bilhões, também em linha com o trimestre anterior. Vale ressaltar que enfrentamos uma mudança relevante no cenário externo. Tivemos a redução de 34% no crack spread do diesel, saindo de US$ 30 no trimestre anterior para US$ 20 neste trimestre por barril. Passamos para o slide 8, em que demonstramos que a nossa geração de caixa permaneceu consistente. Conseguimos alcançar um fluxo de caixa operacional realizado de US$ 9,1 bilhões e um fluxo de caixa livre de US$ 6,1 bilhões. Essa forte geração operacional foi suficiente para suportar os investimentos e as obrigações financeiras. Além disso, tivemos a otimização do nosso caixa com o pagamento de dividendos. Ao longo do trimestre, utilizamos o nosso caixa para pagamentos de dividendos aprovados no trimestre anterior de cerca de US$ 7,3 bilhões, incluindo recompra de ações no total de US$ 148 milhões, investimentos na ordem de US$ 2,9 bilhões e realizamos pagamentos de passivos de arrendamentos na ordem de US$ 2 bilhões, amortizações financeiras líquidas de US$ 700 milhões, além dos juros da dívida de US$ 400 milhões. E voltando a falar de investimento, nos primeiros seis meses do ano, o CAPEX totalizou US$ 6,4 bilhões, representando um aumento em relação ao período anterior de 12,5%. Projetamos encerrar 2024 com um patamar de investimentos entre US$ 13,5 e US$ 14,5 bilhões, o que corresponde a um aumento entre 7% e 15% em relação com o período anterior. Importante registrar que essa revisão do patamar de investimento não altera a curva de produção de petróleo e gás da companhia. No slide 9, o slide seguinte, vamos falar um pouco sobre o endividamento. A dívida financeira atingiu o menor valor desde o 3T08, fechando o trimestre em US$ 26,3 bilhões, uma redução de US$ 2,5 bilhões em relação ao trimestre anterior. O endividamento bruto reduziu US$ 3 bilhões e fechou o trimestre em US$ 59,6 bilhões. Nossa posição de caixa permaneceu bastante robusta, alcançando mais de US$ 13 bilhões no final do trimestre. Fechamos o trimestre com o spread da taxa de tesouro americana para o custo da nossa dívida apenas de 2,2%, o menor dos últimos quatro anos, e um prazo médio da dívida de quase 12 anos. No próximo slide, o slide 10, mantemos o nosso compromisso com a distribuição dos resultados gerados e a sustentabilidade financeira da companhia. Nosso Conselho de Administração aprovou ontem dividendos e juros sobre o capital próprio relativos ao 2T24 de R$ 1,05 por ação, que serão pagos em duas parcelas iguais em novembro e dezembro deste ano. A remuneração aos acionistas relativa ao 2T24 totaliza R$ 14,3 bilhões, incluindo aqui R$ 772 milhões em compra de ações e R$ 13,6 bilhões como dividendos e juros do capital próprio. Nossa forte geração de caixa permite o pagamento de dividendos conforme a política de remuneração vigente. Seguimos para o próximo slide. Em uma visão acumulada do semestre, os dividendos são superiores ao resultado em função dos eventos exclusivos desse trimestre, os quais não impactam o caixa. Nossa forte geração de caixa permite cumprir nossa política de remuneração aos acionistas e pagar dividendos, assim como pagamos investimentos, impostos, salários, etc. Por isso, estamos fazendo uso da reserva da remuneração de capital, que foi criada em 2023, visando, dentre outros, equalizar a eventual diferença entre a geração de caixa que suporta apuração de dividendos e o resultado contábil. Em 2023, tivemos um resultado superior ao caixa gerado para pagar dividendos e constituir a reserva de remuneração de capital no total de R$ 21,9 bilhões. Neste semestre temos uma situação inversa e por isso usamos a reserva do capital; é a reserva funcionando para o que ela efetivamente foi criada. Falando em números, na assembleia de acionistas de abril, como já falei, teve a aprovação da destinação de R$ 21,9 bilhões para esta reserva, referente ao resultado de 2023. Considerando o total de proventos da ordem de R$ 27 bilhões no semestre e o lucro líquido disponível de R$ 20 bilhões, estamos usando R$ 6,4 bilhões da reserva de remuneração de capital para dividendos e juros sobre o capital próprio. O saldo remanescente permanece relevante e está na ordem de R$ 15,5 bilhões. Seguindo para o próximo slide e último, conseguimos ver como o retorno total aos nossos acionistas superou em muito o dos nossos pares nos últimos 12 meses. Mas, apesar dos avanços, ainda temos um gap do múltiplo EV sobre EBITDA. Vemos esse gap como uma oportunidade para a companhia. Por isso, temos que continuar trabalhando para entregar valor via crescimento e rentabilidade, com disciplina, principalmente do capital e da governança. Estamos vendo muitas oportunidades para a Petrobras, oportunidades com projetos rentáveis, com crescimento da produção, descarbonização e mais valor aos nossos acionistas e para o Brasil. Finalizo aqui a minha apresentação e daremos início à nossa sessão de perguntas e respostas. Muito obrigado a todos." Bruno Montanari,"Bom dia, pessoal. Obrigado por pegar minhas perguntas. A primeira pergunta é sobre a remuneração ao acionista. Pensando numa decisão de potencialmente se pagar mais dividendos extraordinários, qual seria a visão da companhia para o melhor momento de tomar essa decisão? Vocês aguardariam até o fim do ano fiscal, ou seria possível pensar em uma distribuição após o fechamento do 3T24, quando a visibilidade na geração de caixa do ano já deve ser bastante alta? E, ainda no tema de remuneração ao acionista, a companhia concluiu recentemente, com sucesso, o programa piloto de recompra. Queria pegar a cabeça de vocês sobre qual foi a avaliação dessa estratégia de remuneração, e se devemos esperar um novo programa de buy back, talvez até de maior tamanho." Fernando Melgarejo,"Bruno, obrigado. Acho que você abre com um ponto importante aqui que precisamos esclarecer. Temos visto uma discussão a esse respeito, então vou aproveitar a oportunidade aqui para esclarecer um pouco o funcionamento da reserva. Ter uma reserva não significa que temos caixa. É uma reserva contábil. São conceitos distintos nesse sentido. A reserva é uma espécie de provisão contábil associada à destinação de lucro do exercício, e sabemos que não existe uma correlação perfeita entre lucro, geração de lucro e geração de caixa. São conceitos distintos e pode acontecer como aconteceu nesse semestre. Tivemos um baixo lucro, mas tivemos uma continuidade de geração de caixa. Portanto, queria que vocês entendessem aqui que quando decidimos pelo pagamento de dividendos, qualquer que seja, olhamos para o caixa da companhia e a capacidade de geração de fluxos futuros, e não para o saldo que teremos em eventual reserva. Em 2023, a Petrobras teve mais lucro do que pagamos em dividendos, conforme falei na apresentação, e por isso fez a reserva no total de R$ 21,9 bilhões. E foi exatamente o inverso que aconteceu nesse 2T24, em função do peso do trimestre por itens exclusivos associados a uma forte geração de caixa, estamos usando a reserva para instrumentalizar o pagamento. Aliás, quero lembrar aqui que esse possível descasamento entre lucro e fluxo de caixa foi o motivador para a criação da reserva em 2023. Observe: se não tivéssemos hoje uma reserva, nós teríamos dificuldade para termos proposto o pagamento de dividendos trimestral, já que tivemos um valor de dividendos de R$ 27 bilhões e um lucro de R$ 20 bilhões. Tem uma diferença aí de aproximadamente R$ 6 bilhões, e fizemos então o uso da reserva de remuneração de capital. Sobre o timing da decisão do extraordinário, para nós é natural fazer avaliação quando da aprovação do planejamento estratégico, uma vez que, repito aqui, o pagamento extraordinário depende de fluxos futuros e não de uma reserva de provisão, de uma reserva de remuneração de carga e capital. E, frisando, a decisão do uso da reserva ontem não afeta a nossa capacidade de pagar dividendo extraordinário. Sobre o programa de recompra, não temos uma discussão formal sobre isso. Concluímos o programa agora em agosto. Foi quase US$ 1 bilhão. E o que estamos fazendo? Eu pedi para o meu time para avaliarmos a real efetividade e eficiência do capital para essa operação." Vicente Bradesco,"Obrigado, Edu. Obrigado a todos pela presença. Eu tinha duas perguntas. Estamos entrando no período de demanda mais alta de diesel por conta da safra brasileira no terceiro trimestre e, aparentemente, com a Rússia priorizando a oferta de outros mercados aqui, eu acho que o Chile, pelo menos aqui para o Brasil, está com a margem caindo. Queria entender qual a estratégia da Petro para abastecer o Brasil no terceiro trimestre, se vão trabalhar em conjunto com outros importadores, enfim, dado que somos short diesel. A segunda dúvida é que queria entender do ponto de vista técnico o que pautou as mudanças na gerência de E&P. Queria entender se podemos esperar algo diferente nos programas de desenvolvimento, principalmente pensando em Búzios." Cláudio Schlosser,"Ok. Bom dia, Vicente. A sua análise está perfeita. Nós temos uma sazonalidade no segundo semestre do ano que é justamente um consumo adicional de diesel, seja ele no Brasil pela safra, seja ele pela formação de estoques para o inverno no hemisfério norte. Então realmente tem uma pressão um pouco maior sobre o diesel. Agora, sobre a questão de abastecimento, o abastecimento do Brasil é realizado não apenas pela Petrobras. Nós temos outros agentes, nós temos os refinadores privados, temos as próprias petroquímicas e temos também os importadores que atuam nesse mercado. Mas vamos falar do nosso planejamento. O que nós fazemos é um planejamento plurianual. Sabendo que essa sazonalidade existe e é recorrente a cada ano, o nosso planejamento já prevê uma série de medidas. As principais delas dizem respeito às paradas aqui de DPI da área de refino, e nas paradas de manutenção procuramos sair um pouco fora desse período e deslocar ela para períodos onde a demanda é um pouco menor, como janeiro. Nós também fazemos, Vicente, uma gestão ativa dos nossos estoques. Sabendo dessa demanda, nos preparamos de uma forma otimizada e buscando obter vantagens das nossas exportações, que nós fazemos de derivados para a Ásia e trazemos também de volta, aproveitando esse frete de retorno de diesel, e fazemos a gestão ativa dos estoques. Objetivamente, você comentou da questão do diesel da Rússia, pela priorização da oferta no mercado doméstico. Nós não importamos o diesel russo, então ele, a princípio, não afeta o nosso planejamento. Nós estamos plenamente preparados para atender a demanda dos nossos clientes." Wagner Victer,"Bom dia, Vicente. Prazer em falar com você e com todos aqueles que estão assistindo essa conversa com os nossos investidores. Primeiro, do ponto de vista da formação das novas equipes, nós temos dentro da diretoria de Exploração e Produção e, eventualmente, a substituição de alguns gerentes executivos. A Petrobras tem um processo de formação bastante sólido da sua mão de obra, que inclusive retomou agora recentemente, através da Universidade Petrobras, mas historicamente sempre formou quadros de excelência. A nova diretora da área, na realidade, a partir dela partem as decisões, as recomendações para ocupação dos novos cargos gerenciais, principalmente os gerentes executivos e os gerentes gerais, é uma profissional e geóloga. Uma profissional com uma experiência de mais de 40 anos, que participou de grandes descobertas da empresa, e só a sua escolha já sinaliza para o mercado qual é a perspectiva, muito alinhada com o que o diretor Melgarejo colocou, de ampliar o nosso portfólio de reservas. Quando ela monta equipes, ela escolhe profissionais de experiência e com tradição, basicamente majoritariamente do corpo técnico da empresa. Se pegarmos profissionais como os dois novos representantes de águas profundas e ultraprofundas, um deles continua, que é o Paulo Marinho. Ele tem 20 anos de empresa. O César tem 22 anos de empresa. Quando vamos para a área exploração e produção, nós temos o Jonilton, que é uma pessoa incrível, um geólogo renomado com 37 anos de empresa. O Schmol, um engenheiro de reservatório que substitui o Bruno, profissional que também é referência profissional de diversas áreas, professor de diversas áreas. Tem 21 anos de experiência. Eu tenho 37 anos de experiência, funcionário também de carreira da Petrobras, ainda ativo. O Bruno tem 20 anos de experiência. O professor Eduardo, que muitas vezes colocam na nova área, é uma pessoa que estava há um ano como consultor da Presidência, com uma experiência fantástica e com doutorado. Uma grande referência que temos. Não só para o mercado interno, da própria Petrobras, como também para o exterior. Ou seja, uma equipe bastante robusta e bastante sólida, em que basicamente temos profissionais com larga experiência que poderiam, se nós fizermos um paralelo com a própria Lei das Estatais, com a Lei 13.303/16, tem currículo para assumir cargos de direção em qualquer empresa estatal do Brasil. Então é uma equipe bastante robusta, bastante discutida pela diretora Sylvia, que aqui eu represento, com a presidente Magda. Quanto à questão de Búzios, dentro da sua pergunta, na hora que eu estava colocando, eu já tinha passado essa manhã dentro do nosso COI, que é o Centro de Operação. Nós estamos nesse momento com uma plataforma com parada programada, que é a P-74, nós estamos produzindo 639 mil barris. Em breve, com a retomada dessa plataforma, vamos ter uma produção recorde pontual em Búzios superior a 800 mil barris. E esperamos um ramp-up do Almirante Barroso, que nós recebemos uma autorização do Ibama para uma produção adicional em relação ao projeto original, ou seja, um plus em relação ao que foi investido no passado. E com a chegada do Almirante Tamandaré, que já está em curso, saiu há cerca de uma semana da China, nós vamos ter a incorporação de uma grande plataforma ao sistema de Búzios, que será a maior plataforma do Brasil, com uma planta de processamento de 225 mil barris. Então é bastante promissor o que nós temos pela frente, especialmente em Búzios. Tão logo a plataforma chegue, nós estamos pensando em iniciar um processo motivacional interno de Búzios caminhando para 1 milhão de barris de petróleo, que deve acontecer em um período que vamos definir dentro das nossas curvas. É bastante promissor. Acho que as equipes são robustas, têm profissionais da mais elevada competência e, principalmente, com conhecimento de mercado e treinados pela Petrobras. E isso valoriza muito e é reconhecido pelo corpo interno." Pedro Soares,"Bom dia a todos. Eu tenho duas perguntas. A primeira acho que é para o Fernando. Fernando, acho que você foi bem claro em elucidar que os dividendos extraordinários não estão atrelados à decisão sua a respeito deles, não estão atrelados à reserva em si, e sim à posição de caixa da companhia em contexto do que é vislumbrado para investimentos. Se você puder, talvez, explicar para nós o que vocês imaginam de posição de caixa ideal para a companhia, se a posição atual próxima de US$ 3 bilhões, de fato, parece acima de uma estrutura ótima de capital para talvez tentarmos navegar melhor nessa expectativa com relação ao extraordinário para frente, dado que os investimentos de vocês estão aparentemente muito bem funded pela geração de caixa tri a tri da companhia. E uma segunda pergunta, mais para o lado de produção, só queria ouvir um pouco de vocês sobre os níveis de produção de julho. Estamos um pouco mais cegos com aqueles dados da MP diários. E se vocês podem também passar um pouco sobre o ritmo de normalização ao longo do segundo semestre, o que podemos esperar para axed rate de 2024. Acho que é isso. Obrigado, pessoal." Wagner Victer,"Primeiro, em produção nós estamos trabalhando dentro da projeção. E essa perspectiva até o final do ano, de trabalhar dentro do nosso plano de negócio, que é 2,8 milhões de barris de óleo equivalente, mais ou menos 4%. Estamos dentro da média e certamente buscaremos estar até o final do ano. Realmente, nós tivemos algumas questões que impactaram efetivamente a curva de produção prevista para julho. Algumas paradas que eram paradas e que estão sendo postergadas do passado, como eu falei da P-74, e algumas ocorrências que nós tivemos que estamos corrigindo. Tivemos uma parada da plataforma P-38 num problema não previsto em relação às amarras. As medidas já estão sendo adotadas e num processo de recomposição, acreditamos que devemos resolver nos próximos 30, 45 dias. Tivemos uma interdição da P-53, através da ANP. Já estamos fazendo o atendimento e estamos formalizando a P-53 na ANP. E tivemos também um processo de interdição sobre a questão de baleeira, sobre a equipe própria, também atendido para um campo de Roncador. Essas questões serão compensadas, já estão equacionadas no limite da nossa expectativa e, logicamente, sempre trabalhando da margem colocada no nosso plano de negócio. Como disse, nós temos também perspectivas positivas de produção, não só de julho, mas para o próximo ano, também balizadas dentro da nossa área de riscos, especialmente esse crescimento que nós estamos tendo de Almirante Barroso. Temos a chegada do Maria Quitéria para o Campo de Jubarte, como possivelmente nós vamos antecipar em relação ao plano de negócios que existia anteriormente. Maria Quitéria já está indo para alocação no Espírito Santo. E estamos com o Almirante Tamandaré, que está chegando e nós vamos fazer todos os esforços com nossa equipe no sentido de também anteciparmos em relação ao que está no plano de negócio. Então, ao mesmo tempo que nós tivemos ocorrências não previstas, o que logicamente faz parte do nosso relacionamento com os órgãos de controle e para manter, inclusive, a segurança, essa é uma questão fundamental, nós temos outros eventos positivos, mas que nos dão até o momento uma sinalização de estar até o final do ano dentro da meta e do range estabelecido no nosso plano de negócio." Fernando Melgarejo,"Bom, falar um pouquinho aqui de caixa ótimo, um caixa otimizado. Obrigado pela pergunta. Acho que isso é uma discussão que, dentro da área de finanças de qualquer instituição, está sempre existindo. É um organismo vivo que depende de uma situação de cenário, da situação que eu estou no momento de investimento, se eu estou desinvestindo, se eu estou em um momento flat da companhia. Tudo isso interfere no tamanho do caixa ideal que vamos procurar para a companhia, que chamamos de caixa otimizado. Obviamente, não é um número cravado. Trabalhamos sempre com um túnel, ou seja, um valor intervalar. Utilizamos todas as melhores informações que temos no sentido de fluxos e influxos, entradas e saídas. O planejamento estratégico é um importante input que nós precisamos, porque é dali que tem o maior fluxo de saída de caixa que temos. Tem o recurso, os fluxos operacionais, que vão ter entradas aqui dentro. Colocamos tudo isso numa modelagem. Fazemos então uma residência em situações de estresse. E o tamanho dele é aquele capaz de suportar em eventos não esperados altos impactos, mas que tenham baixa probabilidade. Então, um evento que possa vir de alto impacto, mas baixa probabilidade, ele tem que ser capaz, de alguma forma, de eu ter um planejamento que eu consiga ter caixa para suportar essa situação. E estamos falando da cauda de uma curva, pensando estatisticamente, a cauda de uma curva. E esses testes, eu tenho já uma modelagem aqui na Petrobras bastante robusta. Quando eu cheguei aqui, foi algo que eu já me dediquei a entender. Fiquei bastante satisfeito com a modelagem que nós temos. E é nesse sentido que estamos buscando. Se vocês virem a curva do caixa, ela vem cedendo nos últimos períodos, chegando a R$ 13,5 (bilhões) agora. Já tivemos momentos no passado em que chegamos a R$ 8 bilhões. Nós temos uma métrica que é um número intervalar aqui que utilizamos. Não divulgamos muito isso, mas estamos bem tranquilos e entendemos que a otimização não está 100% ainda, mas em 2025 entendemos que vamos chegar lá." Gabriel Barra,"Obrigado todo mundo, todo o time da Petrobras. Vou focar aqui nas duas perguntas. Acho que o primeiro, até pegando um follow-up do começo da conversa sobre internacionalização, é que temos visto muitas discussões aqui sobre licença, e acho que a Magda pontuou de forma bem importante ali o quanto a margem equatorial e Pelotas são importantes para a companhia, mas temos visto alguns atrasos aqui na obtenção das licenças. O meu ponto que eu gostaria de entender é quanto que a internacionalização aqui seria talvez até um plano B para mitigar talvez esse atraso na Bacia de Pelotas e margem equatorial, ou se é realmente um plano estrutural da companhia que ia se aumentar esse pacing na internacionalização e como deveria pensar em tamanho disso para a frente. A segunda, acho que até nessa parte de CAPEX, talvez seja a pergunta que eu mais recebi hoje de manhã fora a questão do dividendo. Mas tem muita dúvida, principalmente, em relação ao shape da curva de investimento. Se teve essa diminuição do guidance para esse ano e sem diminuição da produção. Ao que parece, ou tinha um pouco mais de gordura do que deveria nesse plano de investimento, ou a companhia ganha eficiência ao longo do tempo e está ajustando esse dado, esse ganho de eficiência. Então, duas perguntas aqui. Uma é se, olhando pra esse CAPEX menor, daria para esperar e isso seria postergado para outro ano, ou realmente há um ganho de eficiência e esse shape da curva de investimento para a frente também deveria ser modificado, dado esse grau de conservadorismo no plano de investimento da companhia, principalmente olhando para o upstream e como isso também conversa com uma indústria um pouco mais tight de serviço, com uma certa dificuldade de contratação de FPSO, de embarcação, e como fazer isso, de certa forma, acelerar nos próximos anos. São esses os pontos. Obrigado." Fernando Melgarejo,"Beleza, Gabriel, obrigado pela questão. De fato, tivemos um planejamento ano passado de R$ 18,5 bi. Trouxemos agora um intervalo entre R$ 13,5 e R$ 14,5 bi, mas ainda é cedo. Estamos no meio do planejamento estratégico. É cedo para adiantar e cravar um determinado valor. Estamos no início das discussões. O que eu posso garantir para vocês é que vamos buscar entregar uma perspectiva de CAPEX que seja realista e que traga essa nossa jornada de crescimento para a companhia. O nosso CAPEX desse ano é maior do que o do ano passado e, sem dúvida, no ano que vem será maior que esse. Isso eu posso garantir para vocês, dentro da nossa estratégia. Enfim, precisamos que no nosso planejamento, e estamos buscando isso, que tenhamos um CAPEX que seja eficiente, eficaz e que traga um aumento no planejamento da nossa curva de produção. Falando sobre as últimas notícias, sobre licenciamento, é óbvio que a nossa estratégia é focar na reposição de reservas. Temos declarado essa questão. a Presidente Magda desde que chegou vem trazendo a questão de reposição de reservas. Não estamos confortáveis com o planejamento estratégico anterior de que a partir de 2030 tenha uma redução, então temos buscado, de qualquer forma, reverter isso. Por isso, cada gota de petróleo nos importa e vamos estudar todas as oportunidades que aparecerem que sejam economicamente viáveis. Tem que trazer geração de valor para o nosso acionista. Sobre a inserção da margem equatorial, sim, é claro que quanto menos oportunidades a gente vê no Brasil, maior a necessidade de internacionalização. E, claro, se eu quero suprir a necessidade energética do país, eu preciso ir além das nossas fronteiras. E nós iremos, se isso for necessário, sempre com o objetivo de ter a nossa energia doméstica, pelo menos, atendida e garantida. Bom, reitero aqui a importância da margem equatorial. Precisamos da licença e prosseguimos com a avaliação do potencial daquela região. É um momento ainda de exploração, não é de produção, mas temos uma expectativa bastante grande. Estamos otimistas em relação à exploração, para encontrarmos e termos uma produção positiva do que esperamos. Sobre as licenças, também estamos com uma visão bastante positiva de que está perto de elas serem concedidas. Estamos bastante otimistas e temos que estar assim. Se quiser complementar, Victer." Wagner Victer,"O complemento, diretor, que eu posso falar e certamente será complementado pela Diretora Renata Baruzzi: semana passada nós fizemos uma reunião quando começamos a discutir sobre a questão do comportamento do CAPEX em relação ao planejado. Quando você analisa o CAPEX, você pode analisá-lo pontualmente ou como um todo. E nós começamos a abrir as curvas, plataformas a plataformas, inclusive algumas plataformas de Búzios, e nós verificamos que muitas vezes o avanço físico está bem superior ao avanço financeiro, o que pode, como o Gabriel colocou, até entender como se fosse um ganho de eficiência. Então, muitas vezes a realização de um CAPEX um pouco inferior não obrigatoriamente vai representar um atraso diretamente ligado ao processo. Há também uma forma de recomposição da aceleração do CAPEX, mas o que podemos ver plataforma a plataforma é que temos o comportamento físico da plataforma e, logicamente, os prazos são ajustados em cada revisão do plano de negócio, mas o comportamento da curva física é acima da curva financeira. É claro que esse aprendizado será utilizado para futuras licitações, porque efetivamente, sempre buscamos ter o comportamento do físico bastante próximo do financeiro. Eu acho que a diretora Renata pode até falar dessa reunião que discutiu profundamente esse tema." Renata Baruzzi,"Bom dia a todos, obrigada por todos que estão participando. Assim como o Victer falou, o principal fator que impediu que realizássemos o CAPEX que estava previsto foi justamente a questão do descasamento do pagamento financeiro com os marcos físicos. Estamos ajustando isso e isso não vai atrapalhar o primeiro óleo. Uma outra questão que aconteceu: acabamos atrasando a assinatura dos contratos de Sépia 2 e Atapu 2. Esses projetos estão fora do plano, do horizonte do plano, só para 2029 e 2030, e não vão impactar a curva de óleo agora. Uma outra questão que também teve um impacto na execução do CAPEX é que temos um pool de sondas, e esse pool de sondas atende tanto o CAPEX quanto o OPEX. A locação dessas sondas é feita olhando sempre qual é o melhor resultado para a companhia. E tínhamos feito um planejamento muito mais voltado para CAPEX, mas surgiram oportunidades de manutenção de poços para que ganhássemos mais óleo agora. Então deixamos de usar em CAPEX, mas usamos em OPEX. Uma outra questão que também impactou a realização do CAPEX foi a postergação de paradas no refino. Estamos com obras na RNEST e teremos que fazer algumas intervenções na RNEST de obras, e o refino tinha que fazer a parada da RNEST. Para não pararmos duas vezes a refinaria, nós postergamos a parada programada da refinaria para coincidir com a necessidade da obra. Então, com isso, postergamos para o início do ano que vem. Então, basicamente, foram esses os motivos. Reforçamos que não tem impacto na curva de óleo desse ano. Pelo contrário, estamos conseguindo antecipar a Maria Quitéria, como vocês todos viram, e deve chegar na locação nos próximos dias. Já está no Brasil, já passou as questões alfandegárias e deve chegar na locação nos próximos dias. E aí o pessoal está pronto para começar a fazer a ancoragem, a interligação de linhas e ter o primeiro óleo. E também, como o Victer tinha falado, Almirante Tamandaré já está vindo para o Brasil e vamos fazer os nossos melhores esforços para que também consigamos antecipar a produção dele. Então, basicamente é isso. Não sei se tem mais algum complemento." Luiz Carvalho,"Olá, boa tarde agora, boa tarde a todos. Obrigado pela oportunidade e parabéns pelos resultados. Eu tenho duas perguntas, talvez a primeira aqui para o Fernando. Fernando, eu queria voltar no ponto de alocação de capital e discutir um pouco o equilíbrio entre M&A, posição de caixa mínimo que você já comentou e a proporção de dívida bruta também vis a vis os dividendos. Como acho que o diretor Victer mencionou, a companhia tem quatro unidades afretadas que devem entrar nos próximos 18 meses, e a dívida referente a elas teria que ser lançada no balanço. A pergunta aqui é: caso a companhia, mesmo que temporariamente, ultrapasse o limite de dívida bruta estipulado pelo plano de US$ 65 bilhões, se seria possível, ainda assim, pagar dividendos dentro da forma da política de 45% do fluxo de caixa, e como esse cenário impacta a possibilidade de distribuir parte do que falta dos extraordinários referentes a 23. A segunda pergunta é mais no lado de M&A. Vocês já comentaram um pouco, mas eu queria talvez abordar um pouco sobre a RLAM e como é que estão as discussões sobre uma eventual transação. Queria entender a companhia, se a intenção é voltar a ter controle ou existe uma possibilidade de manter uma participação minoritária, se vocês enxergam alguma possibilidade para uma eventual aprovação do Cade e, obviamente, como isso equilibra também esses eventuais desembolsos de M&A com o potencial de dividendos." Fernando Melgarejo,"Muito obrigado. Bom, o importante é esclarecermos que o dividendo ordinário é um pagamento mandatório. Nós temos uma política que, habilitadas as três condições que estipulamos na nossa política - que é que tendo um resultado acumulado positivo, uma dívida abaixo de US$ 65 bilhões e ter sustentabilidade da empresa -, eu habilito o pagamento do dividendo ordinário. Mas na política quem decide é o CA. Se eventualmente tivéssemos um excesso na dívida, isso poderíamos estudar e avaliar a condição de caixa da empresa, se é favorável ou não, se é uma questão momentânea ou não, se é uma questão estrutural ou não, e propor um eventual pagamento. Mas Luiz, quero te garantir aqui que não esperamos toda a modelagem que fizemos, que é bastante robusta, como já falei. Todas as simulações, inclusive aleatórias, não indicam passar de US$ 65 bilhões de dívida. Então estamos bastante confortáveis nesse sentido e dizendo que não há risco de não ter pagamentos do extraordinário. Sobre a outra parte, sobre o extraordinário, é possível que façamos estudos durante o planejamento estratégico, que é quando temos uma visão melhor da necessidade de financiamento dos nossos investimentos, da disponibilidade de caixa que a gente vai ter e da robustez que nossos modelos de risco trarão como garantia de financiabilidade e sustentabilidade da companhia." William França,"Diretor William falando. Bom dia a todas e a todos. Obrigado pela participação e pelo privilégio. Em relação à nossa refinaria na Bahia, também gostaria de agradecer você ter nominado RLAM. Nossa RLAM é uma das refinarias mais emblemáticas da história do refino nesse país, a Refinaria Landulpho Alves de Mataripe. Sim, nós estamos conversando com o Grupo Mubadala em dois aspectos. Primeiro, há uma possível parceria, ainda não sabemos em qual percentual, com a RLAM e também com a planta de biorrefino a ser montada, construída ao lado da refinaria. Uma possível parceria também com o Mubadala/Acelen. Em relação à refinaria, nós estamos terminando o processo de due diligence e evaluation. Evidentemente, analisando toda a questão da viabilidade econômica do retorno, do processo de integração e sinergia com todo o nosso refino para que possamos, no momento certo, fazer a proposta para o Grupo Mubadala. Então estamos avançando, estamos conversando e terminando a due diligence para que possamos, no momento correto, fazer então a nossa proposta. Está indo bem, viu?" Fernando Melgarejo,"Se eu puder complementar. Eu acho que é importante sempre trazermos e reprisarmos uma questão, que é de que quem procurou para fazer esse negócio foi a própria companhia que veio aqui na Petrobras e trouxe uma possibilidade de negócio conosco. Dito isso, o que isso nos traz de informação? Que qualquer forma societária, qualquer possibilidade societária é possível. Nada aqui está cravado, se é meio, se é 100%. O que importa é o que nos traz o melhor retorno para o acionista, a melhor alocação, uma alocação eficiente de capital. É isso que importa aqui para nós." Regis Cardoso,"Boa tarde, pessoal. Obrigado pelas perguntas. Parabéns pelo resultado forte mais uma vez. Vou começar aqui uma primeira pergunta de onde paramos no tema da RLAM, e talvez vamos ver por outro ângulo qual seria o racional para a Petrobras recomprar. E nesse caso você precisaria de uma aprovação do Cade, visto que lá no TCC da abertura do mercado de refino essa área estava listada como um dos objetos de desinvestimento. Não sei se a refinaria, se a Mataripe mudou materialmente nesse período que ela estava sob outra administração, se a refinaria recebeu muitos upgrades, e se puderem comentar sobre como mudou de lá para cá. Acho que tem um projeto de refino verde lá também que seria interessante ouvir a opinião de vocês. Enfim, são tópicos específicos aqui, mas a pergunta é sobre a RLAM. Um outro tópico, talvez para o Victer, é sobre a integridade do pré-sal. Já tem algumas plataformas no Campo de Tupi, Sapinhoá, que estão produzindo há mais de dez anos, então talvez vocês possam comentar um pouco mais sobre as atividades voltadas à manutenção, integridade do sistema, se vocês têm uma métrica, se têm avaliado como tem sido a evolução do fator de utilização, as campanhas de [inaudível] para fazer manutenção e, eventualmente, os projetos de combate ao declínio, extensão de vida do campo ou aumento do fator de recuperação. Mas, enfim, a integridade do pré-sal é o segundo tópico. Obrigado." William França,"Ok, vou começar aqui e depois passo para o diretor Fernando. Não, em relação a uma mudança material, não houve. A RLAM hoje opera com o mesmo hardware que tinha na venda e houve alguns investimentos normais de parada programada, notadamente a unidade de tratamento catalítico, que é uma unidade de conversão importante para a redução de resíduos e aumento da produção, principalmente, gasolina de alta octanagem. E também o mais importante que foi a dragagem, o início da dragagem do canal que possibilita a nível de logística a entrada de navios de maior porte e aumenta então a flexibilidade da refinaria. Mas não houve nenhuma mudança material. A refinaria continua com o mesmo hardware. Em relação à questão do racional, eu vou passar ao Fernando, mas gostaria de dizer que evidentemente trabalhamos com uma possibilidade de sinergia, não somente com toda a integração de refino, mas também com possíveis sinergias que sabemos que existem muito entre refino e petroquímica. Fernando, por favor." Fernando Melgarejo,"Obrigado, William. Essa sinergia que ele nos trouxe é muito importante para trazermos aqui o racional do negócio. Se essa sinergia for capturada e entendermos que isso é um bom negócio, estamos falando de um negócio rentável, de geração de resultados e de geração de valor para o nosso acionista. Essa é a tônica, na verdade, desde que eu cheguei aqui. Desde que eu tive o convite da Magda, a nossa lógica foi uma gestão empresarial, absolutamente empresarial. E, obviamente, olhando todos os aspectos ambientais, sociais, de governança. Então, se fizer sentido, se a sinergia for capturada e o preço for adequado, por que não? Então, qualquer negócio, na verdade, além desse aqui, se tiver aspectos ambientais, sociais, governança, preço adequado, geração de valor para o nosso acionista e para a sociedade brasileira, nós vamos com bons olhos olhar qualquer projeto." Wagner Victer,"Regis, muito obrigado pela pergunta. A segunda pergunta é boa porque dá oportunidade de esclarecer. A maior parte da nossa produção atualmente está no pré-sal, e essa preocupação em relação ao futuro do pré-sal, à continuidade do pré-sal, é fundamental para o futuro da empresa, logicamente para os acionistas e para todo o mercado. Até porque o pré-sal não contribui meramente para a empresa, mas sim também os parceiros da Petrobras e para a própria sociedade, no recolhimento de participações especiais e de royalties. Nós temos um sistema bastante robusto do ponto de vista do gerenciamento de reservatórios, no gerenciamento de jazidas, na flexibilidade entre a gestão de água e de gás com capacidade de recuperação. O intervalo entre poços produtores e poços injetores. Mas eu queria frisar algumas condicionantes que são muito importantes para garantir esse futuro. Primeiro, como você coloca a Tupi, nós temos parceiros muito experientes. Então essa discussão não se faz somente intramuros, se faz com parceiros que estão nesse processo. E essa contribuição é muito importante. Nós estamos reforçando muito nossas equipes com engenheiros de reservatórios. Nós temos hoje cerca de 240 engenheiros de reservatórios. Contratamos mais 30 engenheiros de reservatórios agora. Normalmente, o engenheiro de reservatório, que é quem analisa todo esse processo, toda essa vida, demora para formar aproximadamente dez anos. Estamos investindo agora, basicamente, para melhorar a avaliação da chamada sísmica 4D. Qual é a sísmica 4D, porque muitos podem notar? É a sísmica 3D tradicional com a quarta dimensão, que é a evolução do tempo. Então, com isso você consegue a melhor avaliação para gerenciamento dos reservatórios. Mas nós temos acima de tudo, eu acho que essa é uma característica que talvez tenha sido única na história da empresa, não digo nem da área de E&P, que hoje nós temos dois gerentes executivos que são pessoas muito experientes, que são engenheiros de reservatório: tanto o Bruno Moczydlower, que está à frente do processo de Libra, mas também o Schmall, que é o gerente executivo de reservatórios. Mas nós temos uma coisa que é diferente. Nós temos uma presidente que é uma engenheira de reservatórios. Isso é uma coisa muito interessante. Eu vou me permitir relatar. Essa semana, muito antes de nos falarmos, a presidente pediu uma reunião com os nossos engenheiros de reservatórios, e eu levei os engenheiros de reservatórios de praticamente todos os campos. Foi uma reunião de três horas. O grau de detalhe e de entrada da presidente, que não é meramente uma engenheira de reservatório, mas uma engenheira de reservatório que depois atuou do outro lado, na área de regulação na ANP, demonstrou o quanto as nossas equipes estão alinhadas no gerenciamento dos nossos reservatórios, e como essa cobrança irá acontecer daqui para a frente. Não é meramente um CEO de empresa, mas um CEO que é engenheiro de reservatório junto com uma diretora que é geóloga. Então a reunião foi bastante firme, permanente. Estamos com as equipes do Schmall, mas todo o pessoal, mas todo o time aprofundado num grau de sabatina de que observamos ao longo da história, nos nossos gestores na empresa, que possivelmente talvez não tenhamos tido um alinhamento de tal maneira como nós estamos tendo atualmente. Então é algo que nos dá bastante confiança pelas equipes que nós temos e, especialmente, pela capacitação que temos das esferas superiores em relação a essa área. É algo que eu posso falar com muito prazer, com muito orgulho, desse alinhamento técnico, especialmente nesse vetor, que é um vetor fundamental para o futuro da empresa." William França,"Só complementando que, além de engenheira de reservatórios, ela é mestre em engenharia química. Então, no nosso lado de cá da área de processos, essa cobrança também tem muito conteúdo." Wagner Victer,"Não só mestre e engenheira química, porque a presidente Magda é bastante detalhista no processo de cobrança. Muitos investidores estão assistindo, mas a Magda é uma pessoa muito detalhista. Não é meramente... Não é o famoso engenheiro de planilha. É um engenheiro que conhece de fato, cobra. Isso é muito importante porque motiva as equipes e sinaliza às equipes que aquele trabalho está sendo feito sob supervisão forte de cada um. Tivemos outro dia ela visitando o nosso COI, que é o Centro de Operação Integrado lá de Búzios e Libra, e ela claramente falando com os membros do COI, inclusive com o nosso representante de reservatório, que fica 24 horas presente em cada campo. Esse é um detalhe muito importante para os acionistas. Cada campo nosso, cada centro de operação, nós temos um engenheiro de reservatório 24 horas nesse gerenciamento do campo para o melhor desempenho dele e para realmente podermos extrair ao máximo, dentro do equilíbrio da vida do campo, que na realidade é a vida futura da nossa empresa." Caio Ribeiro,"Boa tarde! Obrigado pela oportunidade. Bom, em primeiro lugar, a Petrobras comentava sobre potenciais compras de ativos de geração de energia renovável, em média até 2 gigawatts. Eu queria ver se vocês poderiam passar uma atualização em relação a isso, se algo mudou em relação ao tamanho e à magnitude da capacidade que vocês conseguem agregar um portfólio. E também com relação ao stake máximo que vocês gostariam de ter nesses ativos. Qualquer cor aqui seria bem-vinda. Em segundo lugar, hoje a Petrobras, enfim, claramente tem um processo bem robusto no Brasil, motivo da aprovação de novos investimentos, já que envolve diversos países, mas ao mesmo tempo claramente percebemos um apetite maior para aumentar e acelerar o nível de vencimentos. Até usando como exemplo o guidance passado no último plano estratégico versus o plano anterior de 2022. Queria saber se vocês planejam implementar alguma mudança nos processos de aprovação de investimentos ou se vocês consideram que o processo atual é adequado para a empresa seguir adiante com seus planos de investimento? Obrigado." Maurício Tolmasquim,"Obrigado, Caio, pela pergunta. Como você sabe, nós temos duas modalidades principais de investimentos aqui: os M&As e os investimentos gerados internamente. A sua pergunta é mais focada no M&A, e nós estamos focados, no que diz respeito ao M&A, em formar plataformas. Os M&As estão atualmente muito mais ligados à eólica onshore e à solar onshore, mas não exclusivamente. No que diz respeito à eólica onshore e à solar onshore, a ideia é uma plataforma de investimento. O que é uma plataforma de investimento? É encontrarmos parceiros de porte com bastante expertise, que tenham uma carteira de projetos, eventualmente já em operação, mas projetos também greenfield ou em construção, para fazermos uma parceria. A ideia principal é que seja 50% de participação da Petrobras, 50% do parceiro, mas isso pode ser negociado. Então, para poder começar essa análise, a diretoria executiva tem que aprovar a análise dessa oportunidade. Tem que aprovar a entrada em carteira dessas oportunidades. E a diretoria aprovou, até o momento, a entrada em carteira de cinco potenciais plataformas que totalizam mais de 3 gigawatts de capacidade. A meta que nós tínhamos no plano, que temos no plano, era de chegar num período de cinco anos a 5 gigawatts desses projetos renováveis. E nós já fizemos para uma dessas cinco plataformas, autorizado pela diretoria, uma oferta não vinculante, mas acabou, como é comum nessas negociações, faz parte da negociação, acabou que não fechamos com ela. Então essa plataforma está agora com quatro em análise e negociação com os parceiros. E, é claro, eu sei que existe toda uma expectativa de anúncio e tal, mas só pode ser anunciado quando o negócio é fechado e se for fechado, faz parte do processo. Além dessas quatro que estão agora sendo analisadas, tem outras grandes empresas que estamos analisando a possibilidade da entrada também na carteira. É o modelo de M&A que estamos trabalhando. Do lado dos investimentos orgânicos, de oportunidades geradas internamente, estamos com uma carteira de quatro projetos pilotos e dez projetos que estamos analisando a oportunidade. São projetos em que entram a parte de CCUS, a parte de hidrogênio. Então são outros tipos de projetos. Mas esse estou entendendo que não é o foco da sua pergunta. Só ainda relativo ao M&A, nos últimos meses temos visto uma certa melhoria dos preços da eólica e solar, do preço da energia no mercado, e isso torna mais interessante eventualmente e mais fácil fechar esses contratos." Fernando Melgarejo,"Nós não temos previsão de fazer nenhuma mudança nas metodologias, na governança. Aliás, como a presidente falou, temos sido exemplo de governança dentre as empresas nacionais. E a lógica é manter a governança que nós temos, que é robusta, adequada, faz vários cenários de sensibilidade, deixa robusto o material, traz cenários adversos e tem que ter resiliência nesses cenários. Então, não há nada nesse sentido em mudança de governança. Pelo contrário, é fortalecer tudo aqui na governança. O que nós criamos aqui na companhia após a chegada da presidente foi uma área que tem o seu objetivo de melhorar as interfaces da companhia entre as diversas áreas. E o nosso foco principal é essa interface temos buscado. O Victer é o executivo responsável, que hoje está como diretor interino aqui, de buscar essa sinergia interna. As interfaces precisam ser aprimoradas para conseguirmos gerar a velocidade e a energia necessária que queremos para dar velocidade – Victer, se quiser complementar – para dar velocidade ao nosso planejamento e a essa trajetória de crescimento necessário para não ter queda nas nossas reservas de petróleo." Wagner Victer,"Acredito que o diretor Melgarejo colocou o processo de integração seguindo de maneira bastante rígida os nossos princípios de governança interna. É fundamental. Sempre há uma oportunidade de melhoria em toda organização. É isso que buscamos permanentemente." Lilyanna Yang,"Oi, obrigada pela oportunidade. Eu tenho três perguntas, se me permitem. A primeira é sobre a cadeia de suprimento. Vocês poderiam compartilhar conosco a sua visão sobre a cadeia de suprimento global e a necessidade de localização do fornecimento? Qual seria o papel da Petrobras em desenvolver a indústria doméstica naval e garantir uma entrega talvez mais eficiente a preços justos dos equipamentos? E o novo guidance de vocês de CAPEX não inclui aquisições, correto? Eu entendo que o foco da empresa daqui para frente vai ser um pouco mais em upstream, mas eu queria ver quais as prioridades de investimentos da Petrobras, na sua visão, na área de downstream e de transição energética. Vocês falaram um pouquinho de fertilizantes, de geração de energia elétrica, mas e, por exemplo, petroquímicos ou distribuição de combustíveis? E, nessa mesma linha, vocês enxergam uma necessidade de mudar a governança para a aprovação dos projetos de aquisição, em especial por causa da exigência do VPL positivo para esses tipos de projetos, e tendo um contexto que a Petrobras acabou de mudar o regulamento interno para a composição dos comitês estatutários que subsidiam as decisões do Conselho de Administração. Se vocês me permitirem uma terceira e última pergunta rápida, é se vocês esperam emitir dívida daqui para a frente ou se a ideia é deixar espaço no balanço para a entrada de dívida que vem com os níveis de plataforma de produção, de forma que seu teto de referência de US$ 65 bilhões da dívida bruta não seja ultrapassado." Renata Baruzzi,"Bom, com relação ao mercado fornecedor, quero primeiro reforçar que qualquer empresa prefere ter um mercado fornecedor perto dela. Isso facilita demais o nosso relacionamento com nossos fornecedores e a possibilidade de estarmos mais perto deles. Então, nesse sentido, temos realmente uma intenção de estar mais próximos dos fornecedores e entender quais são as dificuldades deles para que possamos internamente ajustar eventualmente os nossos procedimentos ou formas de contratação e possibilitar mais fornecedores nacionais participando. Agora, sempre lembrando que vamos seguir a governança. Como o diretor Fernando falou, não estamos alterando a nossa governança e tem que ser vantajoso para a Petrobras, porque se não for vantajoso, não faz sentido. Essa é uma questão empresarial, mas que vamos trabalhar também o desenvolvimento dessa carteira de fornecedores, porque para nós é muito favorável que tenhamos fornecedores aqui. Nesse sentido, temos trabalhado já com pré-qualificação de alguns fornecedores. Tenho trabalhado muito de mão dada com o diretor Spinelli na questão de governança. Ele tem nos ajudado bastante nessas questões e tentando recuperar o nosso mercado. Algumas estratégias de contratação diferenciadas para permitir que empresas menores façam pacotes menores e possam começar a ganhar musculatura para fazer, no futuro, projetos maiores. Realmente temos uma dificuldade de fornecedores, e vou falar que não é só no Brasil. Estamos com dificuldade com fornecedores no exterior também. Ontem eu fiz uma reunião com uma empresa. Eu mesma tenho feito bastantes reuniões para entender as dificuldades dos nossos fornecedores, e eles falaram que a partir da guerra da Ucrânia e agora dos conflitos no Oriente Médio, o número de encomendas dessa empresa aumentou demais, porque os outros países estão tendo que desenvolver infraestrutura própria para suportar a demanda deles, já que não está podendo ser suprida nem pelo Oriente Médio, nem pela Ucrânia. Então o mercado mundial está aquecido. E, no Brasil, estamos fazendo um esforço grande de recuperar o nosso grupo de fornecedores." Wagner Victer,"Essa pergunta é muito boa porque, na realidade, a partir da covid, a partir das crises que estão sendo colocadas, mais recentemente a guerra na Ucrânia, que impactou inclusive força maior, há uma série de fornecedores que forneciam para plataformas no exterior, o mundo inteiro começa a repensar suas cadeias globais e, fundamentalmente, buscar cadeias que tragam menor risco na sua análise de risco ao seu fornecimento. A indústria brasileira tem um princípio criado pela Lei 9.478/97. O princípio, inicialmente já celebrado no primeiro leilão, acontecido em junho de 1999, do estabelecimento de conteúdo local. Então, o conteúdo local não é meramente uma decisão discricionária e sim uma obrigação dos contratos de concessão e partilha. A Petrobras está gerenciando isso, voltou a gerenciar de maneira bastante eficaz do ponto de vista do desenvolvimento da produção. Nós temos a questão de toda a atividade subsea. Nós temos uma indústria de subsea aqui bastante competitiva. Na semana passada, nós estávamos com a diretora Renata e a diretora Sylvia falando sobre a questão de ampliar, inclusive, a capacidade produtiva de linhas flexíveis e para novas tecnologias dentro do Brasil. E nós fazemos isso com vantagem significativa, até porque os nossos fabricantes que nós desenvolvemos no Brasil já estão exportando para outros países com a margem equatorial. Não só linhas flexíveis, mas como também a questão de manifolds, a questão das árvores de natal molhadas. Na indústria naval, houve um processo de quebra, há um processo de retomada e, logicamente, essa retomada não é a construção de novo de plataformas de marinas integrais no Brasil, mas sim, eventualmente, a questão de módulos que venham complementar a indústria ou o nosso conteúdo local, que se torna de maneira bastante positiva. E um bom exemplo de conteúdo local, de desenvolvimento associado à tecnologia, é a questão do HISEP. O HISEP é uma tecnologia desenvolvida pelo Cenpes pela Petrobras, aplicada à atividade de exploração e produção, que é uma grande inovação que vai permitir, inclusive, que tenhamos ganhos fundamentais, redução de pesos em topsides e plataformas, e está sendo feito aqui no Brasil. Uma tecnologia bastante disruptiva, desenvolvida pelo Cenpes, especialmente lá pelo engenheiro Passarelli, que coordenou o processo, mas fundamentalmente que estamos conseguindo com ele fazer aqui na Ilha do Fundão, muito próximo ao Cenpes. Então são exemplos bastante positivos. Eu acho que isso não é meramente uma obrigação de conteúdo local, mas uma estratégia empresarial que grandes corporações de petróleo buscam fazer, especialmente o Brasil, porque desenvolveu ao longo de muitas décadas uma indústria local bastante competitiva e, como disse, já exportando para muitos países." Fernando Melgarejo,"Bom, vamos lá. Como falei antes, não tem nenhuma mudança de governança, de métrica, nada disso. Obviamente, aprimoramentos, como já bem falamos, acontecem a toda hora, mas tanto CAPEX quanto OPEX são uma visão empresarial. OPEX eu vou buscar a eficiência dos nossos processos já instalados, e o CAPEX de uma visão de investimento e retorno sobre capitae alocado. Então, essa visão empresarial não muda. Eu gosto de frisar uma palavra que todos já escutaram, é by the book mesmo, dentro das melhores práticas de gestão financeira para tudo: compra, OPEX, CAPEX, seja o que for. Sobre os novos caminhos, não sei se essa pergunta já foi, queremos explorar oportunidades com expectativa de retorno adequado. Tudo que tiver retorno adequado, nós vamos buscar. Nosso foco, como temos frisado, é o E&P. É o E&P que traz o resultado, e é desse resultado que teremos recursos para fazer a transição energética que tanto precisamos no seu tempo certo e dentro do desenvolvimento que a sociedade precisa, que as empresas estão trazendo de novas tecnologias." Rodrigo Almeida,"Boa tarde, Fernando, Edu, todo o time da Petrobras. Eu queria talvez voltar um pouco no tema até da última pergunta e tentar conectar aqui o ponto da manutenção da dívida bruta dentro do limite em relação a liability management ao longo dos próximos trimestres. Eu acho que volto aqui para aquele ponto de se a Petrobras deve ser mais ativa em resgate antecipado de bonds, o que se deve pensar em termos de rolagem de dívida bancária que vencem ao longo dos próximos semestres, e se existe também algum, se vocês puderem compartilhar conosco, algum estudo ou discussão para eventualmente revisar esse teto da dívida bruta. E ainda vou nesse ponto, se eu puder aqui entender um pouco a cabeça de vocês, quando vocês avaliam M&As, e M&As que podem possivelmente trazer algum tipo de dívida bruta para dentro da empresa. Vamos supor aqui, no caso, a RLAM. Sabemos que o CNPJ onde a RLAM está dentro tem um nível de dívida bruta que roda entre R$ 1,5 e R$ 2 bilhões. Como é que vocês avaliam esse tipo de M&A quando ele traz para dentro uma dívida bruta relevante para o balanço caso ele seja incorporado?" Maurício Tolmasquim,"Obrigado, Rodrigo. Bom, nós tivemos uma queda da demanda de gás no Brasil como um todo, sobretudo porque teve uma redução no uso de térmicas, o que está sendo revertido agora. Nós estamos justamente agora vendo as térmicas serem utilizadas. Ao mesmo tempo, temos uma realidade nova, porque temos atualmente 15 supridores de gás que competem com a Petrobras, que é um cenário diferente do que nós tínhamos. Apesar disso, estamos com uma política bastante agressiva de manter o mercado e continuamos, mesmo com até 15 concorrentes, com 70% do mercado. Isso competindo livremente. E como é que estamos conseguindo manter esse mercado, que criamos novos produtos? No segundo trimestre de 24, nós criamos o prêmio de performance para distribuidoras que, como anunciamos, você tem um desconto de 10% no preço, consumo acima de 60%. Com isso, nós conseguimos atrair muitas distribuidoras para fazerem contratos conosco. Tem até uma situação curiosa, porque... Eu não vou citar casos, mas tem um cliente que tinha fechado contrato já há muito tempo atrás de GNL e que hoje, no final, que ele achava que era vantajoso, hoje ele estaria, se estivesse comprando da Petrobras, estaria comprando a um preço bem menor do que ele fechou algum tempo atrás. Então isso está numa política justamente de manter o cliente, mantendo, claro, de forma responsável os preços. A outra política é uma política bastante agressiva de capturar o consumidor livre, trazer o consumidor livre para o mercado. E isso tem atraído muito a indústria. Nós temos anunciado e já anunciamos a público contratos, por exemplo, com a CSN, com a Gerdau, mas tem aí, e posso adiantar o nome, uma fila bastante importante de grandes empresas que estão em vias de fechar negócio. Nós temos perspectiva também, e não posso anunciar, mas de lançar produtos competitivos em função da entrada de gás mais barato, como o gás da Rota 3, etc. Então, isso nos dá a vantagem competitiva. Quanto à questão da energia, realmente tem várias térmicas que ficaram descontratadas recentemente, e estamos olhando muito para esse leilão de capacidade que o Ministério já anunciou. O que queremos é não apenas recontratar essas que estão descontratadas, mas eventualmente também estamos mirando fazer uma térmica nova para entrar nesse mercado. Estamos olhando com bastante esperança e expectativa que saia esse leilão agora, sobretudo as usinas que já temos construídas. Nós temos uma vantagem competitiva muito grande, porque parte do investimento já foi amortizado. E eu acho que temos uma boa condição de entrar de forma competitiva nesse leilão. Obrigado." Fernando Melgarejo,"Bom, vamos lá então. Acho que já até antecipamos alguma questão dos níveis de caixa ideais. Ele sempre está à luz e aprovado dentro do planejamento estratégico, conforme a necessidade que nós temos em função da financiabilidade dos projetos. Eu tenho uma questão particular, acho que de formação, que a minha lógica é de trabalhar sempre com caixa mínimo. Ou eu tenho bons projetos que geram valor para os nossos acionistas, ou eu tenho que distribuir em forma de dividendo ordinário ou extraordinário. Essa é a visão que eu sempre tive, e aí ter caixa ocioso na empresa custa dinheiro, custa rentabilidade. E não é isso que estamos buscando aqui dentro. Sobre emitir dívida, fazer pagamento antecipado, fazer alongamento, esse é o dia a dia do pessoal de finanças que está sempre olhando o mercado, que tem ganhado prêmios a esse respeito, de melhores gestores; buscando oportunidades que tragam a nossa dívida para o menor patamar, para o menor custo. Estamos com o menor spread entre o título público americano e dentro dos últimos quatro anos apresentamos isso aqui dentro. E é um dia a dia nosso, a ideia é continuar com essa eficiência e também ser cada dia mais eficiente e reconhecido pelo mercado." Rodolfo Angele,"Bom dia. Vou fazer uma só, são quase duas horas já. Eu queria só voltar no tema do dividendo rapidinho. Acho que nós exploramos vários aspectos, mas só para deixar bem claro se o meu entendimento está correto. O que eu ouvi de vocês é que a decisão de um dividendo extraordinário vai ser baseada na percepção e potencial de geração de caixa da companhia, levando em conta CAPEX, levando em conta o planejamento estratégico de vocês e, portanto, próximo de um momento em que vocês tenham mais visibilidade sobre esse planejamento estratégico, a possibilidade de anúncio de um eventual dividendo extraordinário é maior. O que eu queria só ter certeza que compreendemos corretamente é que... Vamos supor uma hipótese aqui. Vamos supor que algum evento acontece, que a companhia acaba tendo uma geração de caixa bem acima do que se esperava por qualquer motivo, e isso longe do período de planejamento. Seria uma situação em que pareceria que você tem espaço para realmente pagar mais dividendo. Isso é algo que poderia acontecer? Ou seja, a decisão no extraordinário pode acontecer a qualquer momento?" Fernando Melgarejo,"A decisão do extraordinário, como você bem levantou, depende da nossa capacidade de geração de caixa futuro e também o caixa presente que nós temos, vis a vis a financiabilidade dos nossos investimentos à luz do planejamento estratégico. Se nós identificarmos um caixa superior ao necessário para isso, como já falei, e continuando sendo by the book, gosto de repetir isso. Caixa superior ao necessário numa companhia custa dinheiro e não traz eficiência. Nós estamos aqui em busca de eficiência e isso, tão logo identificada a disponibilidade, a possibilidade ou a oportunidade de distribuição de extraordinário, nós vamos fazer. O que nós achamos que é o mais adequado, dentro das melhores práticas, é ter um planejamento estratégico já bem evoluído, com uma volumetria capaz de refletir esse planejamento estratégico de curto, médio e longo prazo, e aí sim, pegar esses valores e, se for possível, o quanto antes, significa que em 2024 não está descartado um pagamento extraordinário de dividendo." Bruno Amorim,"Boa tarde a todos. Obrigado pelo espaço para as perguntas. Vou fazer duas rápidas aqui. Primeiro, voltando no tema do potencial M&A com a RLAM, vocês comentaram um pouco que eventualmente pode ter alguma sinergia do ativo com o que vocês fazem hoje. Seria possível dar um pouco mais de detalhes de que tipo de sinergia que vocês veem, seja com upstream, com petroquímico, ou seja com o parque de refino atual. E o segundo ponto é com relação à projeção de produção para o ano que vem, na medida em que as licenças, não só para vocês, mas para todos os operadores, têm sido atrasadas do lado do Ibama. Em que medida esse atraso do Ibama coloca a projeção para 2025 em risco, se é que colocam, ou talvez, colocando de outra forma, até quando o Ibama deveria voltar a trabalhar no ritmo normal, de tal forma que não vejamos o impacto na produção de 2025?" William França,"Obrigado pela pergunta. São várias sinergias. Vou dar um exemplo típico de uma refinaria nossa aqui perto, da sede na Reduc. A Reduc tem muita sinergia, por exemplo, com a Braskem, com troca de matéria-prima, como propileno para o polipropileno deles, o etano para a planta de polietileno. E eles no cracker, por exemplo, sobra hidrogênio, e esse hidrogênio complementa a nossa necessidade de hidrogênio para o nosso hidrorrefino, principalmente na produção de gasolina e diesel de baixo enxofre. Por exemplo, sinergias de refino, sinergias de logística, várias sinergias, inclusive na própria RLAM, nós destacamos a própria Braskem na RLAM e, mais do que isso, sinergia de logística da própria Petrobras e comercialização onde nós, na realidade, quando tínhamos a nossa própria RLAM, aproveitávamos essas sinergias na troca, inclusive, de derivados quando necessário, por exemplo, por conta de paradas programadas e, eventualmente, paradas não programadas. O que fazia com que nós evitássemos, por exemplo, um desabastecimento em algum mercado específico, por exemplo, o mercado da própria Bahia quando existia algum problema em uma unidade ou uma parada programada em alguma das unidades da RLAM, onde você supria com outros mercados, outras refinarias, já que nós temos várias refinarias, inclusive de costa, que atendem e fazem essa sinergia. Por exemplo, dentre várias outras sinergias que nós temos. Um outro exemplo, para fechar e passar para o Fernando, nós temos hoje no polo gás-químico que vamos partir agora no GASLUB, o PGN, que ela vai produzir gás natural e também vai produzir o quê? Dentro da riqueza do gás, ela produz C2+, que é uma matéria-prima muito importante para petroquímica, e vai fazer com que nós tenhamos a possibilidade, inclusive, de ter uma planta de PET dentro do próprio GASLUB ou, eventualmente, em função das nossas negociações, uma ampliação, por exemplo, da Braskem no Rio de Janeiro, utilizando então essa matéria-prima." "Wagner Victer","Essa pergunta em relação ao Ibama é muito importante. Primeiro, quero destacar o trabalho que a diretora Clarice tem feito junto com sua equipe. a Petrobras tem uma equipe na área de gerenciamento que tenho acompanhado há muito tempo, de gerenciamento de licenciamento ambiental, de processo, uma equipe bastante robusta, bastante competente. O gerente executivo estava falando agora há pouco, Flaubert. Temos também a Daniele Lomba, mas com frequência a diretora Clarice está fazendo esse gerenciamento muito próximo em relação ao Ibama, e a própria presidente Magda teve reunião junto com a diretora Clarice e a diretora Sylvia recentemente em Brasília, no sentido de acelerar. Basicamente, não na área de E&P; na área de E&P, com exceção da licença da margem equatorial, que é uma busca que nós precisamos realmente, de fato é fundamental, mas fundamentalmente para que isso que impacta na produção são as chamadas anuências. Não são licenças, são autorizações que o processo de licenciamento ambiental exige para que você tenha governança de que aquele processo licenciado está seguindo à risca. Realmente é público. Houve uma greve do Ibama, há uma operação padrão por parte do Ibama, e isso impactou a nossa curva esse ano, até da ordem de 2%. Nossa curva prevista no plano de negócios da ordem de 2%. Porém, esse impacto está compensado dentro da margem que nós temos, que são 2,8 milhões de barris de óleo equivalente, mais ou menos 4%. Então ele está absorvido dentro da nossa margem, na nossa gerência do risco. É claro que temos o Ibama funcionando dentro da sua rotina tradicional e ele vai apresentar resultados positivos. Vão colaborar, inclusive, para o segundo semestre e para os anos que chegarão. Ontem, no final do dia, nós recebemos a notícia de que recebemos a licença da FPSO Anita Garibaldi, algo importante dali que era algo que estava no nosso passivo, que a diretora Clarice estava trabalhando. Mas ainda temos a pendência do FPSO Sepetiba para Mero, que são interligações fundamentais para contribuirmos com a produção. Tivemos também autorizações importantes, que foi a ampliação da capacidade de produção do Almirante Barroso, que já em função desse trabalho o Ibama liberou. Portanto, tem impacto sim. Esse impacto foi apresentado, foi dado o disclosure dele por parte da nossa área de Relação com Investidores, porém é absorvido dentro do nosso planejamento. Nós temos a expectativa de que em breve essas questões de impedâncias que são colocadas fora do padrão tradicional, não só relativamente ao Ibama, mas também a Agência Nacional de Petróleo, nós superemos, porque na prática não é a Petrobras somente. São os investidores que estão perdendo. Perde a sociedade. Porque um campo que deixa de entrar com o tempo é um certo delay que você tem no pagamento de royalties, participações especiais ao governo federal, aos estados envolvidos e aos municípios." "Clarice Coppetti","Pois não, obrigada. Boa tarde a todas e todos. Como vocês certamente acompanham, o Ibama está com esse processo de mobilização desde o início deste ano, desde janeiro, entre a mobilização e a greve que foi decretada e depois o retorno. Nesse período todo, a Petrobras já obteve 25 licenças e anuências, mesmo com essa mobilização e com essa greve, sendo que dessas 25 licenças e anuências, oito estavam relacionadas à nossa produção, então estamos com uma extrema gestão e também muito presentes juntos à direção do Ibama, conseguimos uma série inédita de licenças nesse período. E além disso, o que é importante destacar? Nesse mês, o MGI, o Ministério da Gestão, Inovação e Serviços Públicos, apresentou uma nova proposta às representações sindicais do Ibama que estão realizando as assembleias, e hoje já temos aí que cerca de nove grandes bases já aprovaram a proposta. Inclusive, hoje de manhã teve novas bases que realizaram a assembleia e aprovaram a proposta. Então eu acho que sem dúvida nenhuma foi um movimento que impactou a produção não só da Petrobras, mas de toda a cadeia produtiva do Brasil. Mas estamos, além de fazendo essa gestão, também estamos acompanhando junto ao governo essa mobilização e o resultado das assembleias que estão finalizando até o final dos dias de hoje. Grande, grande maioria, só uma base do Ibama que realizou a assembleia, rejeitou a proposta. Então acreditamos que voltemos à normalidade, sem dúvida nenhuma, com um estoque gigantesco de trabalho. Mas a Petrobras tem estado presente e obteve 25 licenças num processo como esse, teve certamente um trabalho aí de todos os times, de todas as equipes da nossa empresa. Obrigada." "Monique Greco, Itaú BBA","Oi, pessoal! Boa tarde. Obrigada pela oportunidade de fazer perguntas. Eu vou fazer uma pela avançada hora, e acho que é um follow-up talvez na resposta do Tolmasquim, onde ele comentou sobre a política comercial de gás. Nós temos visto na mídia muitas declarações do acionista controlador sobre uma percepção do preço de gás no Brasil ser caro e uma expectativa, um desejo de uma redução estrutural no preço de gás no Brasil. A minha pergunta é: o que a companhia tem estudado ou tem feito? O que podemos esperar, eventualmente, de inclusão no próximo plano de negócio de iniciativas no sentido de buscar formas de reduzir o preço do gás vendido, mas além do posicionamento comercial? Alternativas de aumento de supply e também, se me permitir, além da Rota 3, além do que já sabemos. Então, envolvendo redução de níveis de reinjeção, a busca de novas fontes de oferta na Bolívia, por exemplo, e eventualmente, também, alguma rediscussão do nível de tarifas de processamento nas UPGNs oferecidas aos parceiros. Quais dessas iniciativas hoje estão sendo discutidas aí dentro? Obrigada." "Maurício Tolmasquim","Olha, boa pergunta. Primeiro, quero esclarecer que toda a movimentação de preço do gás é feita segundo a metodologia que olha a questão do custo de oportunidade do gás. Então, a maneira estrutural para reduzir o preço do gás é você aumentar a oferta de gás mais barato. Essa é a maneira. Você pode aumentar isso aumentando a oferta doméstica. É o caso do Rota 3, o projeto La Raya, etc., que são formas internas de aumentar essa oferta. E a outra maneira você mencionou, é trazer gás de fora. E aí nós temos atualmente três possibilidades. Você descobriu o gás da Colômbia, e é uma possibilidade. É claro que lá, como a Colômbia importa gás, não é totalmente evidente que vai se conseguir trazer, mas é uma rota possível. A Bolívia, mas a Bolívia tem essa questão de queda da reserva, então depende realmente de conseguirmos aumentar as descobertas e a produção lá. E tem um terceiro, que é a Argentina, que eu acho que tem ali um potencial bastante interessante, inclusive porque já temos um gasoduto construído, que é o Gasbol, e tem uma ligação entre a Argentina e a Bolívia. Claro que para aumento expressivo dos volumes, têm que ser concluídos os investimentos que a Argentina está planejando lá dentro, mas sem dúvida ali tem um potencial bom. A Argentina é a segunda reserva do mundo em shale gas, então ali tem realmente uma oferta da qual podemos nos beneficiar. Então eu diria que a curto prazo, e eu vejo como os dois caminhos mais interessantes, é isso. O aumento da oferta interna, que já está prevista porque a Rota 3 já está entrando agora, e eventualmente trazermos, e temos conversado, a Argentina trazer algum gás de lá. Eu acho que esses seriam os caminhos para abaixarmos de forma estrutural o preço do gás no Brasil. Parênteses: já houve uma redução expressiva, já reduzimos em 25% o preço do gás no ano passado e mais 25%. Parte, é claro, pela redução do preço do Brent, mas parte também justamente por causa dessa questão de termos uma condição estrutural melhor para poder fornecer um gás mais competitivo." "Jorge Gabrich, Scotiabank","Boa tarde, tudo bem? A minha pergunta é mais sobre as negociações lá com a Namíbia, do ativo da Namíbia. Eu queria entender qual é a participação mínima que a Petrobras consideraria, dado que temos visto bastantes notícias de entrar junto com parceiros nessa aquisição. E qual seria o cronograma de investimento caso a oferta seja bem-sucedida e se tem algum atrativo na região que vocês estão de olho. Obrigado." "Fernando Melgarejo","Jorge, obrigado pela última pergunta.. Bom, nós não comentamos casos específicos, que é o caso aqui. O que eu posso garantir para vocês é que todo o potencial exploratório, a Petrobras tem interesse em avaliar. Exploração não significa produção. Mas, se nós pudermos explorar novas oportunidades, sempre estaremos olhando para buscar bons negócios e criar valor para o nosso acionista e para a sociedade como um todo. E lembrando que só entraremos em negócios que sejam adequados, que tenham sinergia, que tenham geração de valor para a companhia." "Eduardo De Nardi","Obrigado, Fernando. Obrigado a vocês todos. Encerramos nesse momento a sessão de perguntas e respostas. Caso haja perguntas adicionais, o nosso time de RI ficará muito feliz em responder a todas elas. Passarei a palavra ao Fernando para fazer as considerações finais. Fernando, por favor." "Fernando Melgarejo","Bom, gostaria de agradecer a toda a diretoria aqui presente, a todo mundo que participou dessa divulgação, em especial as pessoas que estão nos assistindo, analistas, investidores, repórteres e a sociedade como um todo. Nós estamos trabalhando com o objetivo de sermos melhores a cada dia e relevantes para toda a sociedade, quer sejam os shareholders, stakeholders e a sociedade civil como um todo. Eu gostaria muito de contar com vocês nessa direção em que estamos. Eu sei, a cobertura de vocês é muito importante, a opinião é importante. Então, por isso, se caso tenha ficado qualquer tipo de dúvida, a nossa equipe aqui de RI já vinha muito disponível para todos vocês, e eu agora me coloco também todo à disposição para o que vocês precisarem, para tirar dúvidas e contribuir conosco aqui no desafio que temos. Muito obrigado a todos! Uma boa sexta-feira e um bom final de semana." "Eduardo De Nardi","Obrigado, Fernando. Informo que apresentação do evento já está disponível no nosso site de RI da Petrobras. Em breve vamos disponibilizar o áudio desse webcast para replay também. Muito obrigado pela participação de todos. Bom dia para todo mundo e um ótimo final de semana."